Ex-Prefeito de Ribeirão Preto e Ministro da Fazenda é investigado por envolvimento no pagamento de propinas da Odebrecht
Antônio Palosso Filho foi preso em São Paulo na manhã desta segunda-feira (data), em mais uma fase da Operação Lava Jato. A 35ª fase, batizada de “Ormetà” (código de silêncio da máfia italiana), investiga um esquema de propinas da Odebrecht para o PT.
Prisão e Investigação
A prisão ocorreu às 6h da manhã em seu apartamento na capital paulista. A Polícia Federal também vistoriou sua casa em Ribeirão Preto, onde apenas o piscineiro estava presente. Os agentes apreenderam diversos documentos. A investigação aponta que Palosso atuou como gerente do recebimento de propinas da Odebrecht para o PT, utilizando uma espécie de “conta corrente” informal com a empresa. Registros em celulares de Marcelo Odebrecht mostram reuniões entre ele, Antônio Palosso e seu filho em 2012, onde foram discutidos temas como o ProSub, a construção da Arena Corinthians e outros projetos.
Valores e Implicações
A investigação estima que mais de R$ 128 milhões foram pagos ao PT e seus colaboradores entre 2008 e 2013, restando um saldo de R$ 70 milhões. O juiz Sérgio Moro afirma que Palosso coordenava e gerenciava os recebimentos. A Lava Jato acusa Palosso de interferir em contratos com a Petrobras, repassando informações privilegiadas a Marcelo Odebrecht, além de atuar em favor de uma medida provisória que beneficiaria a Odebrecht em 2009 e interferir em financiamentos do BNDES para obras da Odebrecht na Angola e no Brasil. Mais de 30 encontros reservados entre Palosso e executivos da Odebrecht foram identificados, com a ajuda de Braneslav Kontit, seu braço direito, também preso.
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Outras Prisões e Desdobramentos
Juscelino Dorado, outro assessor de Palosso, foi preso em Campinas. O delegado Felipe Passe detalhou o esquema, afirmando que Kontit marcava reuniões e trocava informações com Marcelo Odebrecht, passando recados para Antônio Palosso e seu filho. Juscelino Dorado atuou como intermediário de pagamentos, mas a investigação ainda apura o destino final dos valores. Antônio Palosso Filho, com histórico político como vereador, prefeito, deputado estadual e federal, além de ter sido ministro nos governos Lula e Dilma, é suspeito de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ele permanece preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Seu advogado nega sua participação nos crimes, assim como a defesa de Braneslav Kontit. A defesa de Juscelino Dorado não foi localizada para comentar.
A operação destaca a complexidade do esquema de corrupção, envolvendo altos valores, múltiplos agentes e influência em diversos setores do governo e da iniciativa privada. A investigação continua em andamento para esclarecer todos os detalhes e responsabilidades.



