Ambientalista da USP, professor Marcelo Marini Pereira, detalha sobre o processo que esses produtos passam depois de usados
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a pandemia de COVID-19 gerou um aumento significativo na produção de resíduos hospitalares. Para discutir o assunto, entrevistamos o ambientalista da USP, professor Marcelo Pereira.
Classificação de Resíduos Hospitalares
A classificação de resíduos hospitalares é complexa, variando de acordo com o grau de contaminação. Existem diversos tipos de resíduos, desde medicamentos vencidos até materiais biológicos. Cada tipo exige um tratamento e destinação específicos, sendo o mais comum a incineração para materiais contaminados, garantindo a inativação de agentes patogênicos e a prevenção de riscos à saúde e ao meio ambiente.
Descarte Adequado de Resíduos
O descarte de resíduos hospitalares requer atenção especial. Materiais contaminados devem ser coletados por profissionais treinados, utilizando equipamentos de proteção individual adequados. Para a população em geral, medicamentos vencidos podem ser entregues em farmácias ou postos de coleta, enquanto máscaras e outros EPIs usados devem ser descartados no lixo comum, em sacolas fechadas, evitando o descarte em vias públicas. É importante ressaltar que esses resíduos não devem ser misturados com materiais recicláveis.
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Riscos Ambientais e Saúde Pública
Um estudo revelou que cerca de 30% das cidades brasileiras destinam resíduos sem tratamento prévio, gerando riscos ambientais e à saúde pública. A falta de implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos contribui para esse cenário preocupante. A destinação inadequada de resíduos, especialmente os hospitalares, em lixões, causa contaminação do solo e da água, além de representar um risco de proliferação de doenças. A solução envolve a implementação de políticas públicas efetivas, com programas de redução, reuso e reciclagem, além da participação ativa da sociedade.
A responsabilidade pelo descarte adequado de resíduos é compartilhada entre o poder público e a população. Políticas públicas eficazes, que contemplem a redução, o reuso e a reciclagem, são fundamentais para garantir o descarte correto. A participação da sociedade é crucial, mas depende da existência de uma infraestrutura adequada para o recebimento e tratamento desses resíduos. Somente com a combinação de ações governamentais e a conscientização da população é possível minimizar os impactos negativos do descarte inadequado de resíduos, especialmente os de origem hospitalar.



