Professor da USP Ribeirão e coautor do estudo, Leonardo Andrade, traz os detalhes dos efeitos pós-Covid
O alto número de casos graves de COVID-19 no pico da pandemia causou um colapso no sistema de saúde, contribuindo para o aumento de infecções por Klebsiella pneumoniae, uma bactéria resistente a antibióticos, segundo estudo de pesquisadores da USP.
Aumento da Resistência Antibiótica
A pandemia agravou o problema da resistência a antibióticos, já existente antes de 2020. O excesso de pacientes internados e o uso intenso de antibióticos criaram um ambiente propício para a proliferação de bactérias resistentes, como a Klebsiella pneumoniae. A resistência aos antibióticos é selecionada quando há uso excessivo, levando a um aumento na circulação de bactérias resistentes e maior tempo de internação dos pacientes.
Impacto da Klebsiella pneumoniae em Pacientes com COVID-19
O estudo observou maior propensão à infecção por Klebsiella pneumoniae em pacientes com COVID-19, especialmente aqueles mais críticos, intubados e em UTIs. A infecção secundária por essa bactéria pode ter contribuído para mortes, mesmo em pacientes que apresentavam melhora do quadro de COVID-19. A superlotação hospitalar durante a pandemia aumentou significativamente o risco de transmissão cruzada da bactéria.
Tratamento e Prevenção
A Klebsiella pneumoniae não é exclusiva do ambiente hospitalar, mas algumas linhagens desenvolveram resistência extrema a antibióticos, tornando-se superbactérias. Atualmente, existem poucas opções de tratamento, com alguns casos apresentando resistência a todos os antibióticos disponíveis. Para controlar a resistência a antibióticos, é necessário um esforço global, incluindo o controle do uso de antibióticos em animais e na agricultura, além do uso racional em pacientes. O SUS, apesar de suas dificuldades, desempenha papel fundamental no atendimento e pesquisa, buscando novas opções terapêuticas e estratégias de prevenção.



