Ouça a retrospectiva 2013 daquele mês
Em julho de 2013, o Papa Francisco, o primeiro pontífice da Igreja Católica vindo da América Latina, desembarcou no Brasil para participar da Jornada Mundial da Juventude. O evento marcou sua primeira grande aparição pública como líder da Igreja.
A Voz das Ruas e o Apelo aos Políticos
Durante sua visita, o Papa Francisco abordou as manifestações dos jovens, reconhecendo-as como legítimas e justas. Ele fez um apelo aos políticos para que ouvissem a voz das ruas e mantivessem uma ligação orgânica com o povo. Em suas palavras, ele os exortou a evitar a corrupção e a entender a política como um serviço ao bem comum, e não como um privilégio para grupos ou para benefício próprio.
A Reforma do Papado e a Centralidade dos Pobres
Leonardo Boff, teólogo, destacou que, em seus primeiros meses como Papa, Francisco estabeleceu algumas linhas de fundo importantes. Entre elas, a centralidade dos pobres e a crítica ao sistema financeiro globalizado, que ele considera insensível e opressor. Além disso, Boff ressaltou a reforma do Papado promovida por Francisco, que renunciou a títulos de poder e símbolos de riqueza para se apresentar como um pastor no meio do seu povo, buscando uma Igreja mais simples e franciscana.
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O Papa da Ruptura e o Deslocamento da Igreja para o Mundo
Francisco promoveu rupturas significativas, como deixar o palácio pontifício e renunciar aos símbolos de poder. Ele se apresenta não como um doutor, mas como um pastor, falando a partir do sofrimento humano. Boff enfatizou o deslocamento da Igreja para o mundo, transformando-a em uma casa de portas abertas, onde o foco principal é o compromisso com a luta contra a pobreza, a defesa da natureza, a preservação da civilização e a vida.
Embora questões polêmicas como união homoafetiva e aborto não tenham sido abordadas diretamente, espera-se que o Papa Francisco foque na importância do amor, da sobriedade, do consumo solidário e da espiritualidade, alertando os jovens contra a cultura consumista e materialista, incentivando-os a cultivar valores como solidariedade e compaixão.
O legado de Francisco, portanto, reside em sua capacidade de inspirar uma Igreja mais engajada com as questões sociais e mais próxima do povo.



