Brasileiros gastam quase R$ 6,5 bilhões por ano em consertos e reparos de produtos domésticos
Brasileiros estão destinando cerca de R$ 6,5 bilhões anualmente para consertos e reparos de aproximadamente 40 tipos de produtos domésticos. Os dados, provenientes da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), foram estimados com base em informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE. Entre os serviços mais procurados, destacam-se os consertos de móveis, televisores e geladeiras.
Impacto da Crise Econômica nos Hábitos de Consumo
Especialistas apontam que esse aumento na procura por reparos é um reflexo da crise econômica, que tem afetado o poder de compra dos consumidores. Marcelo Bós, economista do Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto e Região, observa uma tendência contínua nesse comportamento. “Até que o cenário econômico apresente uma melhora e um horizonte mais positivo, as pessoas devem tender a fazer reparos, a ‘guaribar’ os produtos que já possuem em casa, em vez de adquirir novos. A compra de um produto novo muitas vezes representa uma dívida, e o brasileiro já aprendeu que dívidas precisam ser pagas”, explica.
Cautela e Receio Diante do Cenário Econômico
Bós ainda complementa: “Mesmo que a pessoa não esteja em uma situação financeira tão ruim, ela observa o cenário e fica receosa quanto ao futuro. Em vez de assumir uma dívida para comprar algo novo, ela prefere consertar o que já tem, reparar ou reformar, pois julga que ainda pode usar o produto por mais tempo. Assim, ela acaba investindo dinheiro nesse reparo em vez de se endividar”.
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Estratégias para Atrair Clientes em Tempos de Crise
Para os lojistas, oferecer descontos e promoções pode ser uma forma eficaz de atrair clientes. “Se o consumidor identifica uma oportunidade de valor, ele acaba sendo tentado a consumir”, afirma um especialista. Em uma loja especializada em consertos e vendas de eletrodomésticos no centro de Ribeirão Preto, os reflexos dessa mudança de comportamento começaram a ser sentidos em fevereiro deste ano. Segundo a funcionária Beatriz Leitmecha, “Fevereiro ainda foi bom, mas depois começou a diminuir. Vendíamos em média uns 15 aparelhos por dia, atrásra está entre 20 e 25. A venda também diminuiu um pouco, e o conserto caiu uns 40%”. Ela destaca que os consumidores têm procurado consertar mais cafeteiras.
Curiosamente, um estudo revelou que o gasto anual da classe E com consertos (R$ 476 milhões) foi 6% maior do que as despesas totais com macarrão e 21% superior ao valor gasto na compra de tomates.
Diante de um cenário econômico desafiador, a busca por reparos e consertos se mostra uma alternativa inteligente para muitos brasileiros, que priorizam a manutenção de seus bens em vez de contrair novas dívidas.



