João Túbero conversa com Gustavo Fragoso, com passagens por CAP, CAM, Grêmio, entre outros clubes
Neste sábado, o programa “Nas Quatro Linhas”, da CBN Ribeirão Preto, debateu sobre o trabalho do coordenador técnico no futebol, com a participação do especialista Gustavo Pragozo.
A função do coordenador técnico e metodológico
Pragozo explicou que no Brasil não há uma definição formal para a função de coordenador técnico. Em alguns clubes, ele assume responsabilidades administrativas e de contratação, enquanto em outros, foca na metodologia de trabalho das categorias de base, interagindo com fisioterapia, fisiologia, departamento médico e equipe de transição. Para ele, o coordenador metodológico deve participar de reuniões pós-jogo, análise de desempenho e fisiologia, discutindo o jogo de forma científica e interagindo com o coordenador pedagógico e escolar. Pragozo considera que coordenador técnico e metodológico são, na prática, a mesma função.
Seleção de treinadores e formação de comissão técnica
A escolha de treinadores, segundo Pragozo, varia entre a base e o profissional. Na base, o processo é mais tranquilo, com foco na formação. No profissional, a escolha é influenciada por fatores políticos e pela necessidade de resultados imediatos, o que pode levar à contratação de treinadores com perfis distintos e sem coerência com a identidade do clube. Pragozo destaca a importância de um processo seletivo abrangente, envolvendo diferentes áreas do clube (RH, psicologia) e avaliações práticas, como a análise de um jogo e a discussão de estratégias táticas.
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A crise dos treinadores brasileiros
Pragozo concorda que existe uma crise no treinamento brasileiro, marcada pela resistência à academia e à formação científica, em contraste com países como a Argentina e a Itália. Ele defende a necessidade de publicações e estudos sobre os métodos de grandes treinadores brasileiros, além de uma abertura para a troca de experiências internacionais. Ele também destaca a importância da gestão de pessoas e da formação cidadã dos atletas, criticando a cultura de demissões na base por resultados e a falta de atenção à saúde mental dos jogadores.
O programa finalizou com uma reflexão sobre a importância de uma visão holística do futebol, que englobe aspectos sociais, psicológicos e pedagógicos, além do técnico e tático, e a necessidade de uma formação mais completa e humanizada dos treinadores e atletas.