Comerciante reside em Boiçucanga, cerca de 10 quilômetros do principal ponto de alagamentos e deslizamentos; ouça o relato!
A tragédia no litoral norte de São Paulo deixou um rastro de destruição após fortes chuvas. A Rodovia Rio-Santos, completamente obstruída, foi desobstruída no fim da tarde de ontem, liberando o tráfego para veículos de resgate e serviços. A previsão é que a rodovia seja totalmente liberada ainda hoje. O governador Tarcísio de Freitas pediu aos turistas que deixem a região para aliviar a pressão nas áreas afetadas.
Números da Tragédia
Entre sexta-feira e domingo, 144.600 veículos seguiram para o litoral norte pelas rodovias Rio-Santos, Mogi-Bertioga e Oswaldo Cruz, enquanto 111.900 retornaram a São Paulo. Até o momento, 48 óbitos foram confirmados (47 em São Sebastião e 1 em Ubatuba), com 26 corpos identificados e liberados para sepultamento (10 homens adultos, 9 mulheres adultas e 7 crianças). Mais de 1.730 pessoas estão desalojadas e 1.799 desabrigadas.
Depoimento de um Morador
Roberto Oliveira Ferreira, morador de Boiçucanga há 25 anos, relatou a situação caótica. Ele ajudou turistas a deixar a região após a liberação da estrada, descrevendo uma viagem de cinco horas até São José dos Campos devido às condições precárias das vias. Roberto descreveu o cenário como devastador, com muitas casas arrastadas pela água e a perda de amigos e conhecidos. Ele mora a 10 km das áreas mais atingidas, e mesmo estando em local mais alto, a água invadiu sua propriedade. A infraestrutura local está precária, mas a solidariedade da população e o apoio de forças de segurança, exército e defesa civil estão ajudando na distribuição de alimentos, água e atendimento médico.
A rotina em São Sebastião gira em torno da ajuda humanitária e da recuperação da cidade. Roberto, além de seu trabalho como comerciante, atua como voluntário, levando mantimentos a locais de difícil acesso e auxiliando no transporte de pessoas. Apesar dos danos materiais em seu comércio, ele se mostra grato por ter sofrido apenas perdas materiais e destaca a força da comunidade e a solidariedade nacional. A recuperação será longa, mas a esperança persiste.



