Parcerias, poder tecnológico e riscos redefinem os limites da inteligência artificial
A Disney deu um passo significativo ao se tornar sócia da OpenAI, integrando personagens icônicos como Mickey Mouse e Darth Vader ao universo da inteligência artificial generativa. Paralelamente, a revista Time elegeu os arquitetos da IA como personalidades do ano, reconhecendo o impacto global dessa tecnologia. Na China, a Huawei lançou uma pelúcia com IA, visando oferecer suporte emocional. Para entender as implicações dessas novidades em termos de criatividade, direitos autorais, comportamento humano e futuro, conversamos com Patrícia Lima, especialista em redes sociais e professora universitária.
A Parceria Disney-OpenAI e o Futuro da Propriedade Intelectual
Patrícia Lima destaca que 2025 foi o ano da IA, um fenômeno irreversível. A parceria entre Disney e OpenAI, com a Disney licenciando oficialmente 200 personagens de franquias como Marvel, Pixar, Star Wars e Disney para uso na Sora (área de vídeos da OpenAI), marca uma mudança de postura em relação à IA. Este investimento de cerca de um bilhão de dólares demonstra uma abertura de mercado e um novo consenso sobre como trabalhar com a IA. O ChatGPT já foi incorporado na criação dos personagens da Disney, indicando um novo modelo de negócio. Apesar disso, a Disney assegura que haverá curadoria para garantir que o uso dos personagens seja canônico e alinhado com seus valores.
O Reconhecimento da Time e a Nova Elite Tecnológica
A escolha dos arquitetos da IA como personalidades do ano pela revista Time sinaliza o surgimento de uma nova elite de poder tecnológico, cujas decisões impactam o cotidiano global. Em 2025, a IA se consolidou no dia a dia, e a Time reconheceu os desenvolvedores da OpenAI como figuras centrais dessa transformação. No entanto, Patrícia Lima ressalta que 2026 será um ano de “duelo de efeitos”, com avanços fascinantes na medicina e entretenimento, mas também com preocupações sobre a concentração de poder nas mãos de poucos. Atualmente, quatro grandes grupos (OpenAI, OpenAI chinesa, Meta/Facebook, Google DeepMind e Nvidia) dominam o cenário da IA, e a Nvidia já alertou sobre a falta de capacidade de produção de memória para atender à demanda crescente.
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A Pelúcia com IA da Huawei e o Risco de Dependência Emocional
A Huawei lançou a Smarthana, uma pelúcia com IA embarcada que visa oferecer suporte emocional. Apelidada de Lá Bubu com IA, essa pelúcia interage por voz e toque, buscando combater a solidão e atender a demandas emocionais. Embora elogiada por seus benefícios, existe o risco de dependência emocional. Os pais podem personalizar o brinquedo, mas devem impor limites, pois a Huawei não esclareceu totalmente as questões de privacidade e segurança de dados. A Smarthana pode se tornar o próximo “bichinho virtual” popular.
Diante desse cenário de rápida evolução tecnológica, é crucial adaptar-se e enxergar a IA como uma aliada, e não como uma adversária. O mercado de trabalho também se transforma, com a substituição de tarefas repetitivas, mas com a criação de novas funções, como especialistas em ética em IA, cientistas de dados, engenheiros de machine learning e curadores de conhecimento em IA.



