Ouça a coluna ‘CBN Educação Para Vida’, com João Roberto de Araújo
Os ataques em Paris, que vitimaram 129 pessoas, deixaram marcas profundas na capital francesa. A cena de pânico, com centenas correndo e gritando por socorro, é inesquecível. Mas, como está Paris atrásra? Como os parisienses estão lidando com o medo, a insegurança e a dor da perda, enquanto tentam retomar a rotina em meio à ameaça terrorista?
A França em Crise: Uma Nova Revolução em Curso
Segundo o professor João Roberto de Araújo, a crise atual na França, inserida no contexto da crise europeia, pode estar gerando uma nova revolução, tão importante quanto as anteriores. A França sempre foi palco de encontros de diferentes raças e culturas, enfrentando complexidades éticas e culturais. A Gália, berço cultural francês, assimilou a latinidade e a língua romana há 2000 anos. A França, que se tornou cristã há 1500 anos, uniu diferentes feudos, etnias e línguas sob o dialeto franciano, que deu origem ao francês moderno.
Desafios da Integração e Crise de Identidade
Após a Revolução Francesa de 1789, a França se tornou um ideal a ser seguido, com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, e os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. No século XX, a França recebeu muitos imigrantes, e o ensino fundamental laico e gratuito, inclusive para filhos de imigrantes, garantiu a integração cultural. No entanto, a França enfrenta um novo desafio com os imigrantes, com uma crise de identidade que se manifesta na defesa da língua e da cultura, e no medo da perda de identidade. Os imigrantes, por sua vez, querem usufruir das oportunidades da França, mas sem dissolver sua própria identidade.
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O Futuro da Integração Cultural na França
A crise urbana, com guetos de imigrantes, potencializa hostilidades e isolamentos. A questão árabe e islâmica, com o proselitismo religioso, também contribui para o ódio. A chegada de imigrantes pobres e refugiados de guerra intensifica a rejeição. A cultura francesa é forte, e o sistema educativo laico garante a integração, mas o professor Araújo acredita que a França precisa se reinventar e oferecer uma nova política de civilização, fortalecendo as competências de convivência e reanimando a solidariedade. Edgar Morin já construiu as bases teóricas para uma reforma na educação. A crise de identidade, as dores dos atentados e o diálogo entre lideranças políticas e intelectuais podem potencializar o nascimento de uma nova ética planetária na França.
Apesar das incertezas e da possibilidade de sofrimento, existe a esperança de que a França possa superar seus desafios e continuar a inspirar o mundo.



