Ouça o primeiro bloco do programa deste sábado (10)
Neste sábado, dia 10 de março, o programa Almanac, da CBN, discutiu a situação da mulher, com foco no empreendedorismo e na representatividade política. Contou com a participação de Iroarantes (gerente regional do Sebrae), Roberta Escatena (consultora de recursos humanos e coaching) e Vlaumir Souza (sociólogo e professor universitário).
Desigualdade na Política: Uma Questão Cultural
Um dos pontos centrais da discussão foi a sub-representação feminina na política brasileira. Em 2017, apenas 11% dos congressistas eram mulheres, com alguns estados sem nenhuma representante. Vlaumir Souza apontou a falta de educação de gênero e etnia como fatores cruciais, ressaltando a quase inexistente representação de mulheres negras. Ele criticou governos conservadores por minimizarem a participação feminina, exemplificando com a pouca visibilidade e o papel meramente decorativo atribuído à primeira-dama.
A Cultura do Machismo e seus Impactos
O programa abordou a cultura machista que perpetua a desigualdade. A crença de que mulheres na política são menos competentes, alimentada por discursos de ódio e preconceitos, foi discutida. A pressão social sobre as mulheres para se encaixarem em um padrão de beleza e comportamento “perfeito” foi analisada, mostrando como isso limita sua atuação política. A dupla moral, onde mulheres são punidas por comportamentos que são aceitos em homens, também foi tema de debate, com exemplos de mulheres presas pela Lava Jato que receberam tratamento diferente de seus maridos. A influência de instituições como a Igreja Católica, com sua construção de Maria como figura virgem e submissa, foi apontada como um fator que contribui para a manutenção dessa cultura.
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Caminhos para a Mudança
Apesar do cenário desafiador, os participantes destacaram iniciativas como o movimento “Mulheres do Brasil”, que reúne mais de 12 mil mulheres em prol do bem comum, trabalhando em áreas como educação, gênero e meio ambiente. A discussão concluiu que a mudança cultural é um processo lento, mas que o empoderamento feminino e a crescente conscientização social são sinais de progresso. A importância da denúncia de assédio e violência, a necessidade de educação e a luta contínua por igualdade foram reforçadas, mostrando que a conquista do espaço feminino na política e na sociedade como um todo exige persistência e união.



