Concentrações desses materiais no ar chegam a até 150 microgramas por metro cúbico na região, quando o recomentado é até 50
Diferentes regiões do Brasil têm enfrentado condições críticas relacionadas à qualidade do ar, Partículas suspensas no ar provenientes dos incêndios na região representam perigo à saúde, agravadas pelas queimadas prolongadas e pela presença intensa de fumaça. Institutos como a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) têm registrado níveis de poluição atmosférica considerados muito ruins, especialmente em cidades como Ribeirão Preto e Barretos, onde a qualidade do ar chegou à classificação “péssima” no fim de atrássto e permanece em situação preocupante.
Concentração de partículas inaláveis e impacto na saúde
Um dos principais parâmetros utilizados para avaliar a qualidade do ar é a concentração de partículas inaláveis, conhecidas como MP10, que são substâncias suspensas no ar com tamanho suficientemente pequeno para serem absorvidas pelo organismo durante a respiração. Murilo Incentini, professor de engenharia química, explica que essas partículas, também chamadas de aerossóis, têm diferentes origens, incluindo poeira levantada do solo e fumaça proveniente das queimadas intensas que têm destruído plantações e áreas de preservação.
Segundo dados da Cetesb, que segue os padrões estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), a concentração de MP10 considerada segura para a saúde humana é de até 50 microgramas por metro cúbico para qualidade boa do ar, e até 100 microgramas para qualidade moderada. No entanto, as medições recentes indicam que esses níveis ultrapassam 150 microgramas por metro cúbico em algumas regiões, o que representa um risco significativo para a saúde da população.
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Características geográficas e meteorológicas que agravam a situação: Ribeirão Preto, por exemplo, está localizada em uma região cercada por montanhas, configurando-se quase como um vale de um vulcão extinto. Essa característica geográfica limita a circulação do ar e dificulta o espalhamento das partículas poluentes, contribuindo para a concentração elevada dessas substâncias na atmosfera local. Além disso, a baixa umidade relativa do ar, que chegou a níveis críticos de 7% em Barretos, favorece a dispersão e a permanência das partículas inaláveis no ambiente.
O professor Murilo Incentini também destaca que os ventos podem recolocar em suspensão a poeira já sedimentada, agravando ainda mais a poluição do ar. Em áreas rurais próximas, como São Joaquim da Barra e Orlândia, a poeira levantada pelo vento forma redemoinhos que contribuem para a contaminação atmosférica.
Recomendações para proteção da população
Diante desse cenário, especialistas recomendam que a população evite permanecer em locais abertos, principalmente durante períodos de maior vento e insolação, momentos em que a concentração de partículas inaláveis tende a aumentar. O uso de máscaras, que foi amplamente adotado durante a pandemia de Covid-19, é indicado novamente como uma medida eficaz para reduzir a inalação dessas partículas nocivas.
Além disso, a utilização de soluções como inalações com soro fisiológico pode ajudar a aliviar os sintomas causados pela poluição, embora não elimine os riscos associados à exposição prolongada. Casos de irritação nasal e até sangramentos foram relatados por moradores das regiões afetadas, evidenciando a gravidade da situação.
Monitoramento e alertas das autoridades: As autoridades ambientais continuam monitorando a qualidade do ar e emitindo alertas para a população, reforçando a necessidade de cuidados especiais, especialmente para grupos vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. O cenário atual é resultado da combinação de fatores naturais e humanos, incluindo queimadas ilegais e condições climáticas adversas, que demandam ações integradas para mitigar os impactos na saúde pública.
Informações adicionais
Para acompanhar a qualidade do ar em tempo real, a população pode consultar os relatórios e índices disponibilizados pela Cetesb e outros órgãos ambientais estaduais. O engajamento coletivo e a adoção de medidas preventivas são essenciais para minimizar os efeitos da poluição atmosférica enquanto políticas públicas eficazes são implementadas.



