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Passageiro de Ribeirão Preto é preso após fumar em voo em Maceió

Professor da USP explica por que fumar e descumprir outras regras de segurança coloca todos a bordo em perigo, podendo levar à prisão
passageiro
Itawi Albuquerque/Secom Maceió

Um jovem de Ribeirão Preto foi preso pela Polícia Federal em Maceió após fumar um cigarro de palha durante um voo. O caso reacendeu o debate sobre segurança aérea e o cumprimento das regras dentro das aeronaves, que são consideradas fundamentais para evitar acidentes graves.

Em entrevista à CBN, o professor e pesquisador do Departamento de Engenharia Aeronáutica da USP, James Waterhouse, explicou que a proibição do fumo a bordo existe devido a um histórico de incêndios e acidentes registrados ao longo da história da aviação.

Risco de incêndio

Segundo o especialista, apesar de os materiais utilizados nas aeronaves terem baixa inflamabilidade, eles não são totalmente à prova de fogo. Além disso, objetos levados pelos próprios passageiros, como papéis e embalagens, podem facilitar a propagação das chamas.

Outro fator agravante é o ambiente fechado da cabine. O oxigênio é compartilhado por todos os passageiros, o que aumenta o risco tanto de incêndio quanto de intoxicação. O professor também destacou que, logo abaixo do piso da aeronave, há toneladas de combustível altamente inflamável.

Regras rígidas

James Waterhouse reforçou que a segurança da aviação moderna só foi alcançada graças a regras extremamente rigorosas e ao cumprimento dessas normas por todos. Qualquer descumprimento coloca em risco não apenas quem infringe a regra, mas todos os ocupantes do avião.

Para o pesquisador, a ideia de “flexibilizar” regras não pode existir na aviação. O ambiente controlado exige disciplina total, já que não há como interromper o voo para resolver situações de risco, como aconteceria em outros meios de transporte.

Uso do celular

Outro comportamento que pode gerar problemas é a recusa em colocar o celular no modo avião durante a decolagem. Embora os sistemas da aeronave sejam protegidos contra interferências, a emissão de radiofrequência pode prejudicar a comunicação entre pilotos e a torre de controle.

O professor explicou que qualquer sinal emitido pelo aparelho, seja de telefonia ou internet, pode causar interferência no rádio da aeronave, especialmente em fases críticas do voo, como decolagem e pouso.

Cigarro eletrônico e baterias

O cigarro eletrônico também é proibido a bordo. De acordo com o especialista, esses dispositivos possuem fontes de calor e representam risco semelhante ao do cigarro convencional.

Além disso, baterias externas e power banks preocupam autoridades de aviação no mundo todo. Equipamentos de baixa qualidade podem superaquecer e pegar fogo, motivo pelo qual as companhias orientam que esses itens sejam transportados junto ao passageiro, e não na bagagem.

Aviação sustentável

Durante a entrevista, o professor também comentou avanços da Embraer no uso de biocombustíveis. O Brasil se destaca no cenário mundial pelo uso do etanol na aviação agrícola e em aeronaves de pequeno porte, além do desenvolvimento de combustíveis sustentáveis para aviões comerciais.

Segundo ele, o país tem liderança tecnológica e potencial para ampliar o uso de biocombustíveis na aviação regional, dependendo principalmente de políticas públicas de incentivo e investimento.

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