Manifestação foi no final de semana e principal pedido foi por agilidade na produção do medicamento de combate ao câncer
Manifestantes foram às ruas em diversas cidades do estado de São Paulo, incluindo a capital e São Carlos, para clamar pela liberação da fosfoetanolamina sintética, popularmente conhecida como ‘fóssal’. O grupo, composto por cerca de 60 pessoas, fez um protesto barulhento em frente à USP de São Carlos, carregando cartazes e entoando palavras de ordem.
O Drama dos Pacientes
O ato teve um forte apelo emocional, com manifestantes deitando-se no chão para simbolizar as vítimas da doença. Um carro de som transmitia depoimentos de médicos e pacientes que defendem a eficácia do composto, ainda não regularizado pela Anvisa. Josefina Pérez, uma agente social que luta contra o câncer, compareceu à manifestação para pedir ajuda e clamar pela liberação da substância, que ela considera sua única esperança. Segundo Josefina, ela depende da ‘fóssal’ para sobreviver e aguarda a análise de sua liminar desde outubro.
Apelo às Autoridades
Outro apelo marcante foi o do analista de sistemas Wilson Doria de Oliveira Neto, que pediu piedade às autoridades responsáveis pelo caso. A reivindicação é direcionada ao governo do estado de São Paulo, para que os juízes liberem as liminares que estão bloqueadas, permitindo que mais pessoas tenham acesso à substância. A situação se agravou após uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que suspendeu a distribuição da fosfoetanolamina, inclusive para quem já a recebia.
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Investimentos e Pesquisas
O ministro da Ciência e Tecnologia, Céu Supansera, anunciou que serão realizadas pesquisas para avaliar a segurança e eficácia da substância, que ainda não foi testada em seres humanos de forma oficial. O governo federal investirá 10 milhões de reais nessas pesquisas, com a previsão de divulgar relatórios trimestrais em um portal online. A expectativa é que resultados seguros estejam disponíveis entre o 15º e o 24º mês de pesquisa. Paralelamente, o governador Geraldo Alkmin solicitou ao ministro da Saúde, Marcelo Castro, a liberação do composto para uso compassivo, em casos onde os tratamentos convencionais se mostram insuficientes.
Em um esforço conjunto, a USP cedeu ao estado o direito à pesquisa e produção da substância, que será utilizada em testes em hospitais públicos. As cápsulas para esses testes serão fabricadas na Fundação para o Remédio Popular em Américo Brasiliense, na região de Araraquara.
A mobilização reflete a urgência e a esperança de pacientes que veem na fosfoetanolamina uma chance de lutar contra o câncer, enquanto aguardam o avanço das pesquisas e a regulamentação do composto.



