Queda nas doações está relacionada aos reajustes nos preços dos produtos; inflação no país chega a quase 12%
A fome cresce no Brasil, com o número de pessoas buscando cestas básicas duplicado. Em Ribeirão Preto, a situação é crítica, com o Banco de Alimentos recebendo menos doações do que a demanda. A alta nos preços dos alimentos, apesar de um leve recuo recente, ainda não impactou positivamente o bolso do consumidor.
Famílias em situação vulnerável
A dona Juscelini dos Santos, moradora da comunidade da Paz, em Ribeirão Preto, ilustra a dificuldade. Ela divide a casa com sete pessoas, incluindo seus pais que vieram da Bahia em busca de tratamento médico. Com a ajuda de doações, a família enfrenta a falta de alimentos. “Antes da pandemia, a gente podia comprar um quilo de carne, hoje não pode mais”, lamenta Juscelini. A rotina inclui economizar ao máximo, muitas vezes comendo apenas café da manhã e deixando o almoço e jantar para mais tarde, com porções reduzidas.
Impacto da alta dos preços e doações insuficientes
O líder da comunidade relata a diminuição das doações, impossibilitando o auxílio a todas as famílias. Quase 10 mil pessoas em Ribeirão Preto vivem em comunidades e assentamentos, necessitando de ajuda para garantir pelo menos uma refeição diária. O Banco de Alimentos da cidade atende 48 entidades, distribuindo 23 toneladas de alimentos por mês, mas a demanda aumentou em cerca de 10% recentemente.
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Medidas governamentais e perspectivas futuras
O governo federal zerou a taxa de importação de alguns alimentos até o final do ano, mas a redução de preços ainda não chegou ao consumidor. O economista Adan Gerbali explica que o aumento global dos preços, devido à pandemia e à guerra na Ucrânia, supera o desconto oferecido pela redução da alíquota de importação. O representante da Associação Paulista de Supermercados, Rodrigo Canezim, afirma que a redução de preços nos supermercados levará meses para ser sentida, devido ao tempo necessário para importação, transporte e autorização.
Em resumo, a situação de insegurança alimentar é preocupante. Para quem já tem dificuldades financeiras, manter uma alimentação adequada se torna um desafio ainda maior, exigindo esforços contínuos para equilibrar o orçamento e garantir o mínimo para a sobrevivência.



