Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marisa Fernandes
Março é o mês da mulher, mas a realidade para muitas brasileiras ainda é marcada pela violência doméstica. Em Ribeirão Preto, a situação não é diferente, com números alarmantes de casos registrados.
A Realidade da Violência Doméstica em Ribeirão Preto
Regina Brito, diretora do Cé Avidas (Centro de Atenção à Vida), serviço de atendimento a vítimas de violência doméstica e agressão sexual em Ribeirão Preto, compartilha um panorama preocupante. Segundo ela, o centro atende mais de 1200 casos de mulheres vítimas de agressão por ano, apenas na cidade. Apesar dos números expressivos, Regina destaca um ponto positivo: as mulheres estão conseguindo se libertar e denunciar mais.
A Lei Maria da Penha e a Necessidade de Avanços
A Lei Maria da Penha representou um avanço significativo na proteção das mulheres, mas ainda há lacunas a serem preenchidas. Regina Brito enfatiza a importância de regulamentar ações como a criação de centros de referência, casas de passagem e abrigos, além de integrar serviços de saúde, assistência social, delegacias e defensorias para oferecer um atendimento integral às vítimas. A Defensoria Pública desempenha um papel crucial nesse processo, orientando as mulheres e garantindo que a lei seja aplicada de forma eficaz.
Leia também
Desafios e Políticas Públicas Necessárias
Um dos maiores desafios é o medo que muitas mulheres sentem de denunciar seus agressores e ter que retornar para um ambiente de perigo. Para superar essa barreira, é fundamental criar políticas municipais abrangentes que atendam às necessidades das vítimas, oferecendo acolhimento, orientação e conhecimento sobre seus direitos. Regina Brito ressalta a importância de políticas que contemplem todas as formas de violência, desde a negligência até a agressão sexual, e que evitem a revitimização das mulheres.
Apesar dos desafios, houve avanços. A Delegacia de Defesa da Mulher, a Defensoria Pública, a rede de promotores públicos e o Cé Avidas são recursos importantes para as vítimas. No entanto, é necessário ampliar a Coordenadoria da Mulher, implementar o centro de referência municipal e criar casas de passagem, investindo em dotação orçamentária para que as ações sejam efetivas.



