Ouça o 2º bloco do programa de 15 de fevereiro
Estamos de volta com o CBN Esporte, em uma edição especial deste sábado. Hoje, celebramos Pepe, figura lendária do Santos de Pelé e companhia, o maior vencedor do Campeonato Paulista com 13 títulos – 11 como jogador do Santos, um como técnico do Santos e outro como técnico da Inter de Limeira. Ele também é o maior vencedor do Campeonato Brasileiro, com sete títulos – seis como jogador do Santos e um como técnico do São Paulo.
Pepe é o segundo jogador que mais vezes vestiu a camisa do Santos, com 750 jogos, e o segundo maior artilheiro do clube, com 405 gols. Para muitos, o primeiro humano, já que o Pepe original, segundo a brincadeira, veio de Saturno.
A Transição de Jogador para Treinador
Como foi essa transição de jogador de futebol para treinador? Pepe explica que se preparou para isso. Em seu último contrato com o Santos, o clube já tinha Abel como técnico. Aos 33 para 34 anos, e mesmo ainda em boa forma e com sondagens de outras equipes, Pepe preferiu encerrar a carreira no Santos. Na ocasião, dirigentes do clube propuseram um contrato de um ano com a promessa de comandar as equipes infantojuvenis do Santos. Ele aceitou a perspectiva e, um ano depois, já estava na equipe profissional.
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Após um período, Pepe começou a se transferir e foi emprestado para o Paulista de Jundiaí e outras equipes, até se tornar um treinador conhecido. Foi campeão no São Paulo e teve a oportunidade de trabalhar no Catar, onde conheceu Pep Guardiola, considerado hoje o melhor técnico do mundo, que foi seu jogador no Catar.
Guardiola e a Inspiração no Futebol Brasileiro
Sobre o título do Barcelona no Mundial contra o Santos, Guardiola deu entrevista falando sobre como montava o toque de bola do Barcelona inspirado no futebol brasileiro. Pepe confirma que essa influência foi passada por ele. Guardiola era um jogador fantástico, um médio-volante à frente da zaga. No Catar, Pepe observou que Guardiola era marcado individualmente, o que o irritava. Apesar de alguns desentendimentos, surgiu uma boa amizade e muitas entrevistas quando o Santos enfrentou o Barcelona.
Episódios Marcantes na Seleção Brasileira
Pepe também relembra momentos difíceis na seleção brasileira, como as contusões que o tiraram de duas Copas do Mundo. Em 1958, durante uma excursão, uma entrada dura o tirou da Copa. Quatro anos depois, em 1962, uma torção no joelho o afastou novamente. Apesar dessas mágoas, ele se sentiu recompensado quando o Santos se tornou campeão mundial.
Na época do Santos, apesar da grandeza do time, Pepe era uma figura central, com cartazes enormes anunciando sua presença nos estádios. Ele sempre atendeu a todos muito bem e era um bom companheiro. Pelé, por sua vez, era sempre muito bem assessorado e aconselhado por Dalmo.
Naquela época, a relação entre jogadores e imprensa era muito mais próxima. Os jogadores entendiam a importância da imprensa e atendiam a todos muito bem. Pepe, conhecido como o “Canhão da Vila” por seu chute forte, também relembra um jogo histórico em que o Santos venceu o Botafogo por 11 a 0, com Pelé marcando oito gols.
Em conversas sobre futebol atual, Pepe comenta sobre Fernando Diniz e sua proposta de um esquema diferente, mas acredita que seria difícil implementar em times maiores. Ele também elogia Lula, o técnico que lançou vários jogadores no Santos e conduziu o time na época de ouro.
As viagens do Santos pelo mundo renderam histórias curiosas, como um episódio em Paris envolvendo Doural em uma boate. Pepe também expressa seu orgulho de ter jogado na seleção brasileira e sua expectativa para a Copa do Mundo no Brasil.
O bate-papo com Pepe fluiu de forma agradável, relembrando histórias e momentos marcantes de sua carreira. Sua trajetória é um exemplo de talento, dedicação e carisma, que o consagraram como um dos maiores ídolos do Santos e do futebol brasileiro.



