Apesar da abundância de recursos hídricos no Brasil, a perda de água durante a distribuição ainda é um dos principais desafios enfrentados por municípios como Ribeirão Preto. Segundo a professora Tamara Maria Gomes, da USP, o problema envolve tanto falhas de infraestrutura quanto deficiência na gestão.
Em entrevista, a especialista destacou que, mesmo com avanços, os índices de desperdício ainda são elevados e se tornam mais críticos em períodos de estiagem. A situação exige planejamento, investimento em tecnologia e uma gestão integrada dos recursos hídricos.
Perdas elevadas
De acordo com a professora, as perdas físicas de água no Brasil giram em torno de 20%, causadas por problemas na rede de distribuição, como vazamentos, pressão inadequada e falhas em hidrômetros.
Quando somados fatores como furtos e ligações irregulares, esse índice pode chegar a cerca de 40%. Isso significa que, a cada 100 litros de água, quase metade se perde antes de chegar ao consumo efetivo.
Gestão e tecnologia
A especialista aponta que o uso de tecnologia pode reduzir significativamente esses índices. Sistemas de monitoramento em tempo real e sensores permitem identificar rapidamente falhas na rede e otimizar a distribuição.
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Ela também destaca o papel dos comitês de bacia hidrográfica, como o do Rio Pardo, na articulação de investimentos e políticas públicas para melhorar a gestão da água na região.
Desafios estruturais
Além da distribuição, a gestão dos recursos hídricos envolve questões como armazenamento, controle de enchentes e preservação ambiental. A professora cita a importância de manutenção de barragens, áreas de infiltração e matas ciliares.
Outro ponto de atenção é o Aquífero Guarani, principal fonte de abastecimento de cidades como Ribeirão Preto. Segundo ela, trata-se de um recurso finito e sujeito a riscos de contaminação, especialmente por perfurações inadequadas de poços.
Saneamento crítico
A falta de saneamento básico também agrava o cenário. No Brasil, cerca de 50% do esgoto não é coletado nem tratado, o que impacta diretamente a saúde pública.
Dados citados pela especialista indicam que a maioria das doenças está relacionada à água e à falta de saneamento adequado, reforçando a necessidade de investimentos e políticas públicas mais efetivas na área.



