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Pescador afirma não conseguir vender mais peixes após mortandade no Rio de Piracicaba

Homem reclama que os clientes estão com medo de uma possível intoxicação dos pescados; estoque é de 300 quilos
Não conseguir vender mais peixes após
Homem reclama que os clientes estão com medo de uma possível intoxicação dos pescados; estoque é de 300 quilos

Homem reclama que os clientes estão com medo de uma possível intoxicação dos pescados; estoque é de 300 quilos

Uma grave mortandade de peixes tem afetado o Rio Tancuã, Não conseguir vender mais peixes após mortandade no Rio de Piracicaba, na região de Piracicaba, São Paulo, causando impactos econômicos e ambientais significativos para as comunidades locais. A situação tem gerado preocupação entre os moradores, especialmente entre as famílias que dependem da pesca para sua subsistência.

Impacto na comunidade pesqueira: Na vila de pescadores do Rio Tancuã, cerca de 15 famílias vivem da atividade pesqueira, que foi severamente afetada pela mortandade dos peixes. O pescador Alambeluci relata que está com mais de 300 quilos de peixe congelados sem conseguir vender, devido ao medo dos consumidores em relação à contaminação dos peixes. Ele afirma que sua renda diária, que costumava variar entre 80 e 100 reais, foi interrompida há cerca de dez dias. Outro morador, Nilsson Abraão, que vendia em média 25 quilos de peixe por dia, também sofre com a paralisação das vendas, acumulando peixes no freezer e sem fontes alternativas de renda.

A pescadora Eliana Evangelista, que cresceu na vila junto com nove irmãos, destaca que nunca presenciou uma situação tão grave no rio, que sempre foi rico em peixes e fonte de sustento para sua família. O pescador Anísio Evangelista, de 96 anos e residente na colônia há mais de 60 anos, também expressa preocupação com a recuperação do rio, que pode levar muito tempo.

Características ambientais da região: A Área de Proteção Ambiental (APA) do Tancuã, criada em 2018, abrange as cidades de Anhambí, Botucatu, Santa Maria da Serra, São Pedro e Piracicaba. Conhecida como o “mini Pantanal paulista” devido à semelhança de seu ecossistema com o do Centro-Oeste brasileiro, a APA abriga diversas espécies, incluindo aves aquáticas, onças-pintadas, onças-pardas, jacarés, lobos-guarás e jaguatiricas.

O ecossistema local é especialmente sensível, e a mortandade de peixes registrada nos últimos dias é considerada inédita em escala e gravidade. Moradores relatam que a quantidade de peixes mortos representa apenas cerca de 1% da capacidade total do rio, mas ainda assim é um evento sem precedentes.

Investigação e causas da mortandade: A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) concluiu o laudo técnico que aponta a responsabilidade da Usina São José de Açúcar e Álcool pelo derramamento de resíduos industriais no Ribeirão Juco Preto, afluente do Rio Piracicaba, e na Área de Proteção Ambiental Tancuã. O incidente ocorreu inicialmente em 7 de julho e teve um novo episódio em 15 de julho.

Segundo o relatório da CETESB, a usina despejou água residual contendo mel de cana-de-açúcar, uma substância com alta carga orgânica que, ao ser lançada no rio, reduziu drasticamente o nível de oxigênio da água, chegando a zero. Essa condição causou a morte de mais de 235 mil peixes, o que corresponde a aproximadamente 50 toneladas, conforme estimativas conservadoras da companhia ambiental.

O mel de cana é uma fonte de carbono orgânico altamente solúvel, que se dispersa rapidamente na água, alimentando micro-organismos que consomem o oxigênio dissolvido, comprometendo a vida aquática. A substância foi encontrada cristalizada durante vistorias na usina, e o pH do Ribeirão Juco Preto ficou ácido entre os dias 7 e 8 de julho, indicando a presença dos resíduos.

Medidas e penalidades aplicadas: A CETESB aplicou uma multa de 18 milhões de reais à Usina São José, considerando agravantes como o volume elevado de peixes mortos, o vazamento da substância poluidora e o impacto na área de proteção ambiental. Além da multa, a empresa foi obrigada a adotar medidas técnicas e corretivas para a limpeza do rio.

Na manhã seguinte à divulgação do laudo, a prefeitura de Piracicaba iniciou a retirada dos resíduos da região do Tancuã por meio de contrato emergencial com empresas especializadas. A usina, que pertence ao Grupo Farias e está em recuperação judicial, afirmou acompanhar as investigações e adotar as melhores práticas ambientais, mas ainda não se manifestou sobre a multa aplicada.

Entenda melhor

A recuperação do ecossistema do Rio Tancuã pode levar até nove anos, segundo técnicos da CETESB, devido à gravidade do impacto ambiental causado pelo derramamento dos resíduos industriais. A mortandade de peixes afeta diretamente a biodiversidade local e a economia das comunidades ribeirinhas, que dependem da pesca para sobreviver. O episódio evidencia a importância do monitoramento ambiental rigoroso e da responsabilidade das indústrias no manejo de seus resíduos para evitar danos irreversíveis ao meio ambiente e às populações locais.

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