Leandro Conti revela dificuldade de passar com a canoa pelo baixo nível do rio; bióloga comenta a baixa nos afluentes
A estiagem prolongada no Rio Pardo, em Guaira e Barretus, tem causado impactos significativos na região. O nível do rio está tão baixo que um analista de sistemas, Leandro Conte, conseguiu ficar em pé no meio do rio com a água na altura dos joelhos, algo inédito em seus mais de 20 anos pescando na região. Ele relata que a dificuldade de navegação em canoa, normalmente observada em atrássto e setembro, começou em julho, indicando uma situação crítica.
Níveis críticos e impactos ambientais
A bióloga Maria Inácia Macedo Freitas, moradora de Barretus, explica que a seca atual é resultado de um ciclo de estiagens dos últimos três anos, sendo o ano passado o mais crítico. A escassez de água afeta não só o Rio Pardo, mas também os rios Moji e Grande. Maria Inácia destaca o assoreamento, causado pela falta de tratamento de esgoto e pela erosão, como um fator crucial para a redução do nível da água. A falta de recuperação das nascentes também contribui para o problema, pois a água não é reposta adequadamente.
Chuvas intensas e hidrelétricas
As chuvas fortes do verão, embora abundantes, foram rápidas e intensas, causando ainda mais assoreamento e não repondo os reservatórios. A bióloga também aponta para o impacto das hidrelétricas (PCHs), que, segundo ela, não possuem estudos de impacto ambiental adequados e não garantem a reposição de água nos reservatórios. O reservatório de Marimbondo, afluente do Rio Pardo, já está quase seco, com previsão de apenas 50 centímetros de água em atrássto e setembro. Essa situação afeta diretamente a piracema e a vida de ribeirinhos que dependem da pesca.
Necessidade de ações urgentes
A situação no Rio Pardo exige ações urgentes de políticas públicas para a preservação das matas ciliares e a reserva de água. A falta de água impacta não apenas o meio ambiente e a economia local, mas também a saúde pública, pois compromete o tratamento de esgoto e o abastecimento das cidades. A bióloga alerta para a necessidade de um olhar efetivo e contínuo para o recurso hídrico, e não apenas ações pontuais em datas comemorativas.



