Um estudo inédito realizado pela Fundação FECAP traçou o perfil de jovens paulistas que apostam dinheiro em plataformas digitais de apostas esportivas, as chamadas bets. A pesquisa ouviu 1.200 pessoas entre 18 e 29 anos e identificou um cenário de alto risco para problemas financeiros, emocionais e sociais ligados aos jogos online.
Segundo o levantamento, quase metade dos entrevistados afirmou ter realizado apostas no primeiro trimestre de 2026. Além disso, 24% disseram ter sentido ansiedade, irritação ou culpa após perder dinheiro nas plataformas. O estudo também aponta que 9% dos jovens já contraíram dívidas por causa das apostas e 10% relataram prejuízos acadêmicos ou profissionais.
Vulnerabilidade
Os pesquisadores criaram um índice de vulnerabilidade que vai de 0 a 100 para medir os riscos relacionados às apostas online. O resultado alcançado pelo grupo analisado foi de 64,2 pontos, considerado nível elevado de vulnerabilidade.
De acordo com o professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FECAP, Ahmed Sameer El Khatib, os jovens entre 18 e 24 anos estão entre os mais suscetíveis aos impactos negativos das bets. Isso porque muitos estão no início da vida financeira, têm renda própria e convivem frequentemente com aplicativos de apostas.
O levantamento também mostrou que mais de 17% dos entrevistados apostam semanalmente e 12% chegaram a utilizar dinheiro destinado a despesas essenciais para continuar jogando. Outro dado que chamou atenção foi o comportamento de tentar recuperar imediatamente o valor perdido, prática apontada como um dos principais sinais de risco para vício.
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Impactos emocionais
A pesquisa identificou ainda impactos emocionais relevantes relacionados às apostas digitais. Segundo os pesquisadores, o hábito deixa de ser recreativo quando o jogador passa a buscar compensar perdas anteriores de forma impulsiva.
A jovem Micaele Samara relatou ter enfrentado problemas pessoais por causa dos jogos online. Ela contou que chegou a perder mais de R$ 500 tentando recuperar valores apostados anteriormente.
Os especialistas alertam que o comportamento compulsivo relacionado às apostas pode gerar ciclos progressivos de endividamento, ansiedade e conflitos familiares. Em muitos casos, familiares só percebem o problema quando começam atrasos em contas, pedidos frequentes de dinheiro e dificuldades financeiras mais graves.
Medidas sugeridas
Entre as recomendações apresentadas pela pesquisa estão campanhas de educação financeira, políticas públicas de apoio psicológico e maior responsabilidade na publicidade das plataformas de apostas.
Os pesquisadores também defendem mais transparência nas propagandas das bets, especialmente sobre os riscos financeiros envolvidos nas apostas online, já que a promessa de ganhos rápidos acaba atraindo principalmente o público mais jovem.



