Estudo também indica que 90% tem consciência sobre mudanças climáticas; Dalton Marques comenta sobre os dados coletados
Uma pesquisa recente, divulgada pela CBN, revela dados interessantes sobre a percepção dos brasileiros em relação à ciência, tecnologia e inovação (CT&I). O estudo, realizado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), órgão social supervisionado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com interveniência do Ministério da Educação, aponta um cenário complexo, com altos e baixos.
Otimismo com a Ciência e Interesse da População
Apesar do negacionismo científico, o otimismo com a ciência se mantém alto no Brasil. A pesquisa mostra que 60% dos entrevistados declararam interesse em CT&I, percentual superior ao interesse por esporte (54%), arte e até mesmo política (32%). Mais de 90% dos brasileiros têm consciência sobre as mudanças climáticas, índice superior à média global. Embora o interesse em ciência se mantenha estável nas últimas décadas, a pesquisa também indica pontos preocupantes.
Confiança em Cientistas e o Impacto da Polarização
O estudo revela uma queda no índice de confiança em cientistas entre 2019 e 2023, possivelmente influenciada pela polarização política e a disseminação de informações nas redes sociais. A pandemia serviu como um exemplo claro disso, com debates sobre vacinação se tornando altamente politizados. Apesar da queda, a confiança em cientistas ainda é alta em comparação a outras profissões, ficando atrás apenas dos médicos.
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Acesso à Ciência e Cultura: Desigualdades e Desafios
Um ponto preocupante é o baixo consumo de ciência e cultura no Brasil. A pesquisa indica que poucos brasileiros conseguem citar o nome de instituições científicas ou cientistas nacionais. A visita a museus de ciência e tecnologia, bibliotecas e outros espaços culturais também é baixa, com percentuais significativamente menores do que em outros países. As desigualdades sociais se refletem nesse acesso, com jovens de classe média alta e alta escolaridade sendo os principais frequentadores desses locais. Para democratizar o acesso, é preciso ir além da gratuidade de ingressos, focando em divulgação, incentivo à visita e facilitação do transporte público.
Em resumo, o estudo do CGEE apresenta um retrato complexo da relação do brasileiro com a ciência. Embora o otimismo e o interesse sejam altos, desafios como a polarização política, o baixo consumo de ciência e cultura e as desigualdades sociais precisam ser enfrentados para garantir um futuro com maior acesso ao conhecimento científico para todos.



