Com a proximidade da Páscoa, uma pesquisa da Esalq, da USP, traz um alerta para consumidores: o chocolate meio amargo nem sempre é mais saudável do que os outros tipos. A conclusão contraria a percepção comum de que ele possui menos açúcar e maior teor de cacau.
O levantamento analisou mais de 200 amostras de chocolates, entre nacionais e importados, ao longo de dois anos e meio. O objetivo foi identificar a real composição dos produtos disponíveis no mercado.
Pesquisa chocolate
Os pesquisadores avaliaram diferentes tipos de chocolate, incluindo branco, ao leite, meio amargo e amargo. Ao todo, 116 marcas foram analisadas em laboratório, com foco na concentração de cacau e açúcar.
Para isso, pequenas amostras de cada produto foram submetidas a um processo que permite separar os elementos derivados do cacau e do açúcar. A técnica possibilitou identificar com precisão a composição de cada chocolate.
O resultado mostrou que o chocolate meio amargo, muitas vezes visto como opção mais saudável, apresentou proporções semelhantes às de outros tipos, com cerca de 30% de cacau e açúcar.
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Percepção consumidor
A pesquisa também evidenciou que muitos consumidores escolhem o chocolate meio amargo acreditando que ele possui menos açúcar. Essa percepção está associada ao sabor mais intenso, que pode transmitir a ideia de um produto mais puro.
No entanto, segundo os pesquisadores, essa diferença de sabor está relacionada principalmente à ausência de leite em pó na composição, e não necessariamente a uma redução no teor de açúcar.
Esse fator pode levar a escolhas baseadas em percepção sensorial, e não na composição nutricional real do produto.
Teor cacau
De acordo com a legislação, para ser considerado chocolate, o produto deve conter pelo menos 25% de cacau. Já os chocolates com maior concentração, como os de 60% e 70%, tendem a ser mais fiéis às informações apresentadas nas embalagens.
O estudo reforça a importância de observar os rótulos e compreender a composição dos produtos, especialmente em períodos de maior consumo, como a Páscoa.
A análise mostra que nem sempre o sabor mais amargo significa menos açúcar, destacando a necessidade de escolhas mais conscientes por parte dos consumidores.



