Cuidar da saúde de forma preventiva ainda é um desafio para a maioria dos brasileiros. Uma pesquisa da Associação Nacional de Hospitais Privados revela que 71% dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) não mantêm hábitos de prevenção no dia a dia, como consultas regulares e exames de rotina.
Especialistas alertam que a ausência desse cuidado contínuo, somada a fatores sociais e ambientais, contribui para o agravamento de doenças e aumenta a pressão sobre o sistema público de saúde.
Prevenção vai além de hábitos diários
Segundo a médica Amanda Goshima Kronka, professora do Instituto de Educação Médica (Idomed) e especialista em Medicina da Família e Comunidade, hábitos saudáveis como alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos e sono adequado são fundamentais, mas não substituem o acompanhamento médico.
A avaliação individualizada permite identificar doenças ainda em estágio inicial, muitas vezes antes do surgimento de sintomas, o que aumenta as chances de tratamento eficaz e reduz complicações ao longo da vida.
Além disso, a prevenção inclui diferentes níveis, como a primária, voltada a evitar o surgimento de doenças; a secundária, com foco no diagnóstico precoce, e a terciária, que busca reduzir os impactos de doenças já instaladas.
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Doenças silenciosas reforçam importância do cuidado
Problemas como hipertensão, diabetes e colesterol alto podem evoluir de forma silenciosa. Em muitos casos, o diagnóstico ocorre apenas quando já há complicações, o que dificulta o tratamento.
De acordo com a especialista, o acompanhamento regular ajuda a identificar essas condições precocemente. “Muitos pacientes descobrem a doença apenas durante uma internação, o que poderia ser evitado com exames de rotina”, explica.
Check-up deve ser individualizado
Apesar da importância dos exames preventivos, a recomendação é que eles sejam solicitados de forma personalizada, considerando idade, histórico familiar e estilo de vida de cada paciente.
Entre os exemplos estão exames de colesterol, que podem ser indicados até para crianças em alguns casos, além de rastreamentos específicos como mamografia, Papanicolau e exames para câncer de intestino, conforme a faixa etária.
Acompanhamento deve ocorrer em todas as fases da vida
A prevenção deve começar desde a infância, com consultas regulares de puericultura, e seguir ao longo de toda a vida, incluindo a fase adulta e o envelhecimento.
No caso dos idosos, o acompanhamento é ainda mais importante, mesmo na ausência de doenças, devido às mudanças naturais do organismo e à necessidade de monitoramento constante.
Desafio é mudar a cultura
Um dos principais obstáculos, segundo a especialista, é cultural. A população ainda tende a procurar atendimento médico apenas quando surgem sintomas, em vez de investir na prevenção.
A orientação é incluir o cuidado com a saúde na rotina, mesmo diante da correria do dia a dia. “É preciso encontrar tempo para cuidar da saúde hoje e evitar problemas mais graves no futuro”, reforça a médica.



