Levantamento indica que a probabilidade da profissional conseguir um emprego diminui 20%; Dimas Facioli comenta o cenário
Ontem foi o Dia das Mães, uma data para homenagear mulheres que desempenham um papel fundamental na sociedade. No entanto, a realidade para muitas mães brasileiras vai além das comemorações, envolvendo desafios significativos, principalmente na retomada da vida profissional após a maternidade.
Desigualdade no Mercado de Trabalho
Um estudo realizado pelo Ministério do Desenvolvimento Social, em parceria com o Ipea, revela que mães têm, em média, 20% menos chances de estarem empregadas do que os pais após o nascimento do primeiro filho. Essa disparidade é ainda maior em famílias de baixa renda, atingindo 27% no primeiro ano após o parto e persistindo em 13% mesmo 10 anos depois. A pesquisa indica que a penalidade materna, ou seja, a dificuldade enfrentada pelas mulheres para retornar ao mercado de trabalho após a licença-maternidade, é um fator crucial para essa desigualdade.
Fatores que Contribuem para a Desigualdade
Diversos fatores contribuem para essa realidade. A ausência prolongada do trabalho, a falta de creches e outros serviços de cuidado infantil, e a menor renda habitual das mães (24% menor que a dos homens) são alguns exemplos. Além disso, o estudo aponta que as mães têm maior probabilidade de trabalhar menos horas e em empregos sem carteira assinada, muitas vezes por conta da necessidade de maior flexibilidade de horários. Há também um preconceito velado por parte de alguns empregadores, que temem a possibilidade de ausências frequentes da funcionária, optando por contratar pessoas sem filhos ou que já concluíram a sua fase de criação familiar. Pesquisadores da Universidade de Princeton, utilizando dados do Atlas da Penalidade Materna, apontam que as mães brasileiras são 37% mais afetadas do que os pais na probabilidade de estarem empregadas nos 10 anos seguintes ao nascimento do primeiro filho.
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Caminhos para a Equidade
A qualificação profissional é apontada como um fator chave para que as mães consigam se recolocar no mercado de trabalho. Quanto maior o nível de especialização, menores as chances de discriminação. Iniciativas governamentais de capacitação profissional, como os cursos oferecidos pelo governo do Estado de São Paulo, são importantes para garantir a competitividade das mulheres. A ampliação da licença-paternidade também é discutida como uma medida para promover a igualdade de gênero e reduzir a sobrecarga sobre as mulheres. Apesar da resistência por parte de alguns setores, devido ao aumento de custos para os empregadores, a igualdade de direitos entre pais e mães no que diz respeito à licença parental é fundamental para criar um ambiente de trabalho mais justo e equitativo. Em suma, a superação dessa desigualdade requer uma abordagem multifacetada, que contemple políticas públicas eficazes, combate ao preconceito e investimento na qualificação profissional das mulheres.