Nutricionista e pesquisadora da USP, Carina Palazzo, acredita que os ‘vilões’ podem ser os alimentos ultraprocessados
Uma pesquisa da USP revelou que o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados é um dos principais fatores que explicam a alta ingestão de sal na América do Sul e do Norte. Nessas regiões, o consumo médio diário varia de 8 a 15 gramas, três vezes acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 5 gramas.
Riscos do Alto Consumo de Sal
De acordo com a nutricionista e pesquisadora Carina Palazzo, da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, o alto consumo de sal está diretamente ligado ao aumento da pressão arterial. Isso, por sua vez, eleva significativamente o risco de doenças cardiovasculares, como infartos, AVC e problemas renais, impactando negativamente a qualidade de vida e a expectativa de vida.
Alimentos Ultraprocessados e Insegurança Alimentar
A pesquisa indica uma forte correlação entre o consumo elevado de sal e o crescente consumo de alimentos ultraprocessados. Esses produtos industrializados contêm grandes quantidades de sódio e outras substâncias sintetizadas. A nutricionista destaca que a diminuição do consumo desses alimentos é crucial para reduzir a ingestão de sódio. Além disso, a insegurança alimentar, agravada pelo aumento dos preços de alimentos básicos como carnes, leva muitas famílias a optarem por produtos ultraprocessados mais baratos, como salsichas e embutidos, perpetuando o ciclo de consumo de sódio.
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A pesquisa utilizou dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) e outras fontes, mostrando uma tendência crescente de consumo de alimentos ultraprocessados em detrimento de alimentos frescos e in natura. Essa situação, combinada com a insegurança alimentar, contribui para o aumento da obesidade e de doenças crônicas na população. Para reverter esse cenário, a pesquisadora defende a valorização das práticas culinárias e o aumento da conscientização sobre a importância da leitura dos rótulos dos alimentos para uma escolha mais consciente.
Medidas e Recomendações
Para reduzir o consumo de sal, a especialista recomenda diminuir o consumo de alimentos ultraprocessados, ler atentamente os rótulos dos produtos, utilizar ervas e temperos naturais ao cozinhar e buscar o equilíbrio na alimentação, sem a necessidade de eliminar completamente os alimentos industrializados. A redução gradual do consumo de sal, mesmo que não se atinja imediatamente a meta ideal de 5 gramas diários, já traz benefícios à saúde. Medidas públicas que promovam a valorização da culinária caseira e o acesso a alimentos frescos e saudáveis são essenciais para combater o problema da alta ingestão de sal e seus impactos na saúde da população.


