Professor e economista, Luciano Nakabashi, explica essa tendência e projeta os próximos passos do mercado de trabalho
Uma pesquisa recente analisou o impacto da pandemia de coronavírus no mercado de trabalho brasileiro, revelando disparidades significativas entre grupos populacionais.
Impacto Desigual da Pandemia
O estudo constatou que trabalhadores com baixa escolaridade, especialmente nos setores de serviços e comércio, foram os mais afetados pela crise. Na indústria, o impacto foi mais severo sobre aqueles com apenas o ensino fundamental completo. A pesquisa, realizada até abril, aponta que a classe social com menor poder aquisitivo sofreu mais com as perdas de emprego durante a pandemia.
Recuperação e Novos Desafios
Com o avanço da vacinação e a flexibilização das medidas restritivas, observa-se uma retomada gradual do emprego, principalmente nos setores de comércio e serviços. Embora a recuperação seja positiva, dados recentes indicam que o crescimento de empregos se concentra em funções com salários mais baixos. A construção civil, inicialmente impactada fortemente, apresentou uma recuperação rápida impulsionada pela alta demanda por reformas e imóveis, embora o aumento dos juros e dos custos de materiais possa frear esse crescimento em 2022.
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Perspectivas para o Futuro
A análise dos dados sugere que a retomada do emprego prioriza a contratação de profissionais com menor qualificação e, consequentemente, salários mais baixos. Embora a absorção de mão de obra seja um sinal positivo, a queda do salário médio e a manutenção de incertezas econômicas configuram desafios para o futuro do mercado de trabalho. A construção civil, apesar da recuperação, enfrenta novas pressões com o aumento dos custos de materiais e juros, podendo impactar a demanda nos próximos meses.



