Índice registrado nesse ano foi 2% menor do que no ano anterior; Dalton Marques explica o estudo no ‘CBN Tecnovação’
O número de empresas industriais que realizaram inovações no Brasil recuou em 2022, segundo a Pintec Semestral, levantamento conduzido pelo IBGE em parceria com a ABDI e a UFRJ. Apesar da queda na taxa de inovação, cresceu a intenção de investir em pesquisa e desenvolvimento entre as companhias entrevistadas, aponta o estudo — cujo conteúdo foi detalhado ao Jornal pelo gerente de desenvolvimento econômico Dalton Market, do Espera Park.
Principais resultados da Pintec
A pesquisa, que tem periodicidade semestral e foca em indústrias com 100 ou mais empregados, traz uma fotografia do período de 2022. Naquele ano, empresas de médio e grande porte investiram R$ 36,9 bilhões em pesquisa e desenvolvimento. Entre as 9.500 empresas dessa faixa pesquisadas, 68% lançaram no mercado algum produto inédito ou incorporaram processo novo à produção ou gestão — percentual inferior aos 70% observados em 2021.
Apesar da queda, houve avanço na intenção de inovar: 51% das empresas declararam planos de aumentar recursos para inovação, ante menos de 40% em 2021. Dalton Market destacou que essa disposição aponta um horizonte mais promissor, mesmo com o retrocesso observado no uso efetivo de novas práticas e produtos.
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Setores mais dinâmicos e formas de colaboração
Entre os setores industriais, o segmento de fabricação de máquinas e equipamentos liderou a Pintec, com 89% das empresas registrando inovações em produtos ou processos. Em seguida aparecem fabricação de equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos (87%) e produtos químicos (87%) — este último havia ocupado a primeira posição em 2021.
O levantamento também mostra que 33% das empresas inovadoras estabeleceram algum tipo de parceria — com universidades, institutos de pesquisa, startups ou outras empresas — o que indica maior adoção de estratégias de inovação aberta no setor industrial.
Obstáculos à inovação e limites da pesquisa
Quando questionadas sobre os principais entraves à inovação, 46% das empresas apontaram a instabilidade econômica. Outros fatores citados foram a concorrência acirrada e a limitação de recursos internos, seja por restrição financeira ou falta de pessoal qualificado. A pesquisa revelou ainda que 61% das empresas inovadoras não receberam apoio público direto em 2022.
Dalton Market ressaltou duas ressalvas importantes: a Pintec examina apenas indústrias com 100 ou mais empregados, o que exclui startups e empresas menores que frequentemente acessam editais e fundos públicos; e existem mecanismos públicos de incentivo — como a Lei do Bem e a Lei de Informática — cuja eficácia pode ser reduzida pela burocracia exigida para adesão e prestação de contas.
Além disso, o levantamento focaliza apenas o setor industrial, não contemplando agricultura e serviços onde também há dinamismo em inovação. A divulgação tardia dos dados — reflexo de limitações orçamentárias e operacionais de instituições públicas — significa que os números de 2022 chegam ao debate quando o cenário já segue em transformação.
Os resultados da Pintec Semestral oferecem um diagnóstico útil para formulação de políticas e decisões empresariais, mas também sublinham a necessidade de ampliar o acompanhamento e o apoio à inovação em diferentes tamanhos e segmentos de empresas.