Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Réger Sena
Uma pesquisa recente da Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto lança luz sobre os potenciais riscos associados ao uso excessivo de fraldas descartáveis em adultos. O estudo aponta que, embora as fraldas geriátricas sejam uma ferramenta útil em certos contextos, seu uso indiscriminado pode levar a infecções e agravar problemas de saúde nos pacientes, especialmente nos primeiros meses de utilização.
Desconforto e Constrangimento: Uma Realidade Ignorada
A enfermeira Mônica Franco Coelho, responsável pela pesquisa, destaca que o estudo revelou não apenas os problemas físicos decorrentes do uso de fraldas geriátricas, mas também o desconforto e o constrangimento experimentados pelos pacientes. “Foi possível verificar, tanto na minha prática clínica quanto durante o período de coleta de dados, que os pacientes frequentemente referiam desconforto e questionavam a necessidade de permanecer com a fralda durante a hospitalização”, afirma Mônica. A vergonha e a limitação da deambulação, que antes era possível em suas residências, contribuem para sentimentos de infantilização e restrição, gerando constrangimento.
Avaliação Individualizada: A Chave para o Uso Consciente
A enfermeira ressalta que a fralda é essencial para pessoas que realmente precisam, representando um avanço na assistência e proporcionando conforto para aqueles que, temporariamente ou permanentemente, não conseguem se movimentar ou acessar o banheiro. No entanto, ela enfatiza a importância de uma avaliação minuciosa e individualizada feita pelo enfermeiro antes da indicação da fralda. “Nem todo paciente hospitalizado que utiliza fralda se beneficia dessa prática”, alerta Mônica. A utilização indiscriminada, muitas vezes motivada pela facilidade no atendimento, pode acarretar lesões e outras complicações.
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Riscos e Consequências do Uso Indiscriminado
O estudo aponta que o uso excessivo de fraldas pode aumentar o risco de lesões de pele, infecções do trato urinário e, em casos específicos, o desenvolvimento de úlceras de pressão. Além disso, a pesquisadora destaca que a necessidade da fralda não deve ser automaticamente associada a uma piora no quadro clínico do paciente. Muitos pacientes relatam não precisar do dispositivo, evidenciando a importância da sensibilidade do profissional de saúde para avaliar a real necessidade e abordar o aspecto psicológico, que pode comprometer a evolução do paciente.
Desestímulo e Dependência: Um Ciclo Vicioso
Mônica alerta que o uso prolongado de fraldas pode desestimular o paciente, levando à dependência após a alta hospitalar. “É fundamental considerar que, ao colocar a fralda, desestimulamos o paciente, especialmente no caso de idosos que não utilizavam o dispositivo anteriormente”, explica. A perda do estímulo de controle da liberação de urina e fezes pode levar à incontinência, comprometendo a qualidade de vida do paciente ao retornar para sua residência.
A pesquisa, que analisou 183 pacientes internados no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, reforça a necessidade de uma abordagem criteriosa e individualizada no uso de fraldas geriátricas, visando o bem-estar e a autonomia do paciente.



