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Pesquisa brasileira usa inteligência artificial para detectar fake news em redes sociais

Algoritmo desenvolvido em parceria entre UFSCar e USP analisa linguagem e conexões de postagens; ferramenta alcança alta precisão ao identificar termos alarmistas.
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Algoritmo desenvolvido em parceria entre UFSCar e USP analisa linguagem e conexões de postagens; ferramenta alcança alta precisão ao identificar termos alarmistas.

Um projeto de pesquisa desenvolvido por universidades brasileiras está utilizando inteligência artificial para identificar a disseminação de notícias falsas em plataformas como Instagram e X (antigo Twitter). O sistema, baseado em um modelo teórico de redes, utiliza algoritmos para analisar as relações entre as informações e classificar o conteúdo como verdadeiro ou falso com base em representações numéricas e palavras-chave. Ao contrário de portais de checagem tradicionais, o estudo foca em entender como a desinformação circula naturalmente nos ambientes digitais.

O diferencial da metodologia está no treinamento da IA com a “linguagem real” das fake news. Os pesquisadores, liderados pelo doutorando da UFSCar Guilherme Henrique Messias, extraíram dados brutos de portais de checagem para ensinar o algoritmo a reconhecer padrões linguísticos específicos, como o uso excessivo de verbos no imperativo e expressões alarmistas como “cuidado com isso” ou “olha o que fulano descobriu”. O trabalho é fruto de uma colaboração entre a UFSCar, o ICMC-USP São Carlos, o IFSP e a UFMS, utilizando dados sobre política, esportes, celebridades e religião.

Desafios da criptografia

Apesar dos avanços em laboratório, a aplicação da tecnologia em cenários reais enfrenta obstáculos significativos, especialmente em aplicativos de mensagens. A criptografia de ponta a ponta do WhatsApp dificulta o acesso direto aos dados para análise, embora a dinâmica de compartilhamento de boatos seja similar à das redes sociais abertas. Além disso, o surgimento de inteligências artificiais generativas, capazes de criar deepfakes (vídeos e áudios falsos), impõe o desafio de adaptar constantemente os modelos de detecção para acompanhar a sofisticação das fraudes.

Futuro da tecnologia

O modelo teórico desenvolvido para o combate à desinformação demonstrou versatilidade, sendo aplicado temporariamente na bioinformática para o estudo da relação entre proteínas e fármacos na descoberta de novos medicamentos. No futuro, os cientistas pretendem retomar o processamento de dados focado em identificar discursos de ódio. Para Guilherme Messias, no entanto, a tecnologia deve ser apenas uma aliada; o pesquisador defende que a solução central para o problema no Brasil passa pela regulamentação das redes sociais e pela responsabilização das empresas pela desinformação que circula em seus domínios.

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