Uma pesquisa desenvolvida há mais de 25 anos na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) trouxe resultados promissores no tratamento de lesões medulares. O estudo investiga o uso da proteína polilaminina, encontrada na placenta, para estimular a regeneração de conexões nervosas danificadas.
A coordenadora da pesquisa, a neurocientista Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, partiu de um princípio biológico conhecido durante o desenvolvimento embrionário, essa proteína ajuda na formação e ramificação dos neurônios. A hipótese foi que, ao ser reintroduzida na medula lesionada, a substância poderia estimular o crescimento de novos prolongamentos neuronais, criando caminhos alternativos para a transmissão dos impulsos elétricos responsáveis pelo movimento.
Os testes em cães paraplégicos mostraram resultados animadores, com quatro animais voltando a dar passos e apresentando melhora na marcha após a aplicação direta da proteína na medula. Em ensaios iniciais com humanos, autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os resultados também surpreenderam, um paciente paraplégico recuperou a capacidade de andar de forma independente após o tratamento.
Segundo o colunista Rodrigo Stabili, trata-se possivelmente do primeiro caminho real para a regeneração funcional da medula, um desafio que a medicina enfrenta há décadas. Ele destaca que não se trata de cura milagrosa, mas de um avanço concreto com potencial transformador, inclusive com reconhecimento internacional.
Apesar da relevância científica, a pesquisa enfrentou dificuldades. Cortes de financiamento ao longo dos últimos anos impediram o registro da patente internacional da descoberta, o que pode limitar os retornos econômicos ao país caso o medicamento chegue ao mercado global.
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O caso reacende o debate sobre investimento em ciência no Brasil e reforça a importância das universidades públicas na produção de conhecimento e inovação.
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