Economista e professor universitário, Pedro Henrique Nascimento, analisa os números e traz orientações a quem saiu do mercado
A pandemia de coronavírus afetou duramente o mercado de trabalho, e os jovens foram os mais atingidos. Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que o ganho médio de adolescentes (15 a 19 anos) caiu 34%, enquanto para a faixa dos 20 aos 24 anos a queda foi de 24%, e dos 25 aos 29 anos, de 22%.
Impacto da pandemia na qualificação profissional
Com a perda de renda, muitos jovens deixaram de investir em qualificação profissional, algo fundamental em um mercado cada vez mais competitivo. A professora Pedriana Caldana destaca que o diploma, antes um diferencial, não garante mais o sucesso profissional, sendo necessário conhecimento em tecnologia e o domínio do mundo digital. A pandemia intensificou a necessidade dessas habilidades, mas a falta de renda dificulta o acesso a cursos de qualificação.
Recuperação tímida do mercado de trabalho e desafios para os jovens
Embora haja uma retomada gradual das contratações, segundo dados do Cadastro Geral de Empregos e Desempregados (CAGED), a recuperação é tímida e abaixo dos níveis pré-pandemia. O economista Pedro Henrique Nascimento, professor da FAAP, explica que os jovens foram os mais prejudicados, pois ocupam, em sua maioria, empregos menos qualificados, os primeiros a serem cortados em momentos de crise. A segunda onda da pandemia e as medidas de isolamento social agravaram ainda mais a situação.
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O futuro do trabalho e a adaptação dos jovens
Apesar das perdas significativas, especialmente no acesso à educação e qualificação, o professor Nascimento destaca a capacidade de adaptação dos jovens a um mercado de trabalho cada vez mais digital. Embora muitos tenham perdido conteúdo educacional e oportunidades de emprego, a tendência do home office e a crescente digitalização das empresas podem abrir novas oportunidades. A busca por qualificação, mesmo em cursos gratuitos, é fundamental para a recolocação no mercado de trabalho. Entretanto, a situação para os jovens já era desafiadora antes da pandemia, e a recuperação total ainda é incerta. Os setores de serviços, comércio, tecnologia da informação e marketing digital são os que oferecem mais oportunidades para os jovens.
Para garantir um futuro profissional promissor, os jovens devem investir em qualificação, principalmente nas áreas de tecnologia da informação, marketing digital e e-commerce, que são tendências de mercado e oferecem maior probabilidade de empregabilidade. A adaptação e a busca constante por atualização são cruciais para superar os desafios impostos pela pandemia e se destacar no mercado de trabalho.



