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Pesquisa da Unicamp vai auxiliar na identificação do câncer de boca

Apesar de pouco falada, doença está entre as cinco mais comuns do mundo; 90% de quem tem fumou ou bebeu ao longo da vida
câncer de boca
Apesar de pouco falada, doença está entre as cinco mais comuns do mundo; 90% de quem tem fumou ou bebeu ao longo da vida

Apesar de pouco falada, doença está entre as cinco mais comuns do mundo; 90% de quem tem fumou ou bebeu ao longo da vida

Uma pesquisa inovadora identificou, na saliva de pacientes, um método promissor para facilitar o diagnóstico precoce e o tratamento do câncer de boca. O estudo, que comparou amostras de saliva de 30 pacientes saudáveis com amostras de pacientes diagnosticados com a doença e submetidos a tratamento, revelou diferenças significativas na composição proteica.

Diagnóstico Não Invasivo e Acessível

Segundo o pesquisador Alan Roger Silva, a descoberta possibilita um diagnóstico precoce através de um método simples e não invasivo. “Conseguimos fazer o diagnóstico precoce por um caminho simples que não necessita uma cirurgia, com uma coleta de saliva que é disponível por todos nós, barato, contribuindo consequentemente então para um tratamento mais adequado, com maior chance de cura e qualidade de vida dos pacientes”, explica Silva.

A Gravidade do Diagnóstico Tardio

A Faculdade de Odontologia da Unicamp, onde a pesquisa foi realizada, recebe em média sete novos casos de câncer de boca por mês. O pesquisador Marcio Lopes destaca a importância do diagnóstico precoce, observando que muitos pacientes procuram ajuda com lesões já em estágio avançado. “E é importante ressaltar que essas lesões começaram pequenas e por meses elas foram crescendo. Então a média que o paciente tem a lesão é de seis meses”, ressalta Lopes. A análise das amostras revelou que pacientes com câncer apresentavam 38 proteínas ausentes em indivíduos saudáveis.

Impacto no Sistema Imunológico

A pesquisa também identificou que a menor concentração da proteína Ppia pode indicar casos mais graves da doença. Uma descoberta surpreendente foi a alteração observada em pacientes que haviam superado o câncer, como explica a pesquisadora Adriana Franco-Pais Leme: “Quando a gente observou que o grupo que não tinha mais lesão na cavidade oral, que não tinha mais o tumor, ele não voltou aos níveis normais. A gente encontrou muitas diferenças nesse grupo. E essas diferenças estavam associadas à resposta do sistema imunológico”. Segundo a pesquisadora, a saliva reflete o perfil imunológico do paciente.

Os pesquisadores planejam ampliar os estudos, visando desenvolver um painel de proteínas que possa determinar o nível de agressividade do câncer e auxiliar os clínicos na definição do tratamento mais adequado. A pesquisa é resultado de uma parceria entre o Laboratório de Biociências, a Faculdade de Odontologia da Unicamp e o Instituto de Câncer do Estado de São Paulo.

Este avanço representa um passo significativo na busca por métodos de diagnóstico e tratamento mais eficazes para o câncer de boca, com potencial para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

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