Levantamento apontou também que do total de profissionais graduados representa apenas 24% contra 76% de técnicos
Desigualdade na distribuição de profissionais de enfermagem
O Brasil conta com mais de mil escolas de graduação e enfermagem, mas a distribuição dos profissionais é desigual. Quase metade (45%) está concentrada na região Sudeste. Um estudo realizado pela Organização Americana de Saúde, em colaboração com a Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto, e publicado no relatório da Organização Mundial da Saúde em 2020, revela que apenas 24% da equipe de enfermagem é composta por profissionais graduados, enquanto 76% são técnicos e auxiliares.
Necessidade de mudanças na formação e atuação profissional
A professora Maria Helena Parluci-Marziali, da Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto, destaca a necessidade de aumentar a participação de enfermeiros graduados no atendimento direto aos pacientes. Atualmente, a maioria das enfermeiras atua na gestão, enquanto técnicos e auxiliares realizam o cuidado direto. A professora aponta a necessidade de mudanças na formação profissional, melhoria da qualidade do ensino superior e adequação do mercado de trabalho, com ampliação de postos de trabalho para enfermeiros. A campanha Nursing Now da OMS, desde 2018, busca valorizar o trabalho do enfermeiro e melhorar os serviços de saúde.
Desafios e perspectivas futuras
Além da distribuição desigual e da necessidade de melhorias na formação, o estudo aponta a falta de enfermeiras em cargos de liderança e governança, tanto em nível nacional quanto estadual. A professora Carla Ventura, também da Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto, ressalta a importância da pesquisa colaborativa para entender melhor os desafios enfrentados pela enfermagem no Brasil e buscar soluções. O grupo de pesquisa pretende continuar trabalhando para coletar mais dados e aprofundar o conhecimento sobre a área.
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Em suma, a fotografia da enfermagem brasileira apresenta um cenário complexo, que exige ações conjuntas para melhorar a formação, a distribuição e a atuação dos profissionais, garantindo uma assistência de saúde mais eficiente e equitativa para toda a população.



