Experimento feito em ratos geneticamente selecionados apontou que a substância ajudou a conter a evolução da doença
Um estudo realizado com ratos geneticamente modificados para apresentar sintomas de epilepsia mostrou resultados promissores para o tratamento da doença utilizando o canabidiol (CBD), um composto derivado da cannabis. A pesquisa, conduzida pelo pesquisador William Lopes, demonstrou que a administração crônica de CBD, ao longo de duas semanas, foi eficaz na prevenção da progressão da epilepsia nos animais.
Resultados Promissores em Modelo Animal
Diferentemente da maioria dos estudos que avaliam apenas a administração única de CBD, esta pesquisa focou na administração crônica. Os resultados indicaram que o tratamento com CBD atenuou a severidade das crises epilépticas nos ratos. Além disso, observou-se que o CBD impediu o recrutamento de novas áreas cerebrais no processo epileptogênico, sugerindo um efeito protetor contra a progressão da doença.
Importância Clínica e Perspectivas Futuras
De acordo com o neurologista João Pereira Leite, as crises epilépticas resultam de um mau funcionamento de neurônios no cérebro. O CBD surge como uma alternativa terapêutica promissora, especialmente para pacientes que não respondem bem aos tratamentos convencionais ou não são candidatos a cirurgia. O neurocirurgião Guilherme Podolsky destaca a importância do estudo para pacientes com epilepsia refratária, uma condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e para os quais as opções de tratamento são limitadas. A pesquisa ressalta a necessidade de uma abordagem multidisciplinar, integrando conhecimentos básicos, clínicos e cirúrgicos, para o desenvolvimento de soluções eficazes para doenças neurológicas.
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Interação Multidisciplinar e Avanços Científicos
O professor Norberto García Caerasco, orientador da pesquisa, enfatiza a importância da colaboração entre pesquisadores de diferentes áreas para acelerar o desenvolvimento de tratamentos inovadores para doenças neurológicas e neuropsquiátricas. A pesquisa, apresentada em Chicago no maior congresso de neurociência do mundo e publicada em uma revista científica, representa um avanço significativo na compreensão e tratamento da epilepsia, oferecendo esperança para pacientes que buscam alternativas terapêuticas eficazes.


