Estudo aponta que a falta de diálogo em casa faz as crianças se sentirem sozinhas, e isso acaba causando atitudes inesperadas
O trágico caso em Goiânia, onde um estudante de 14 anos matou dois colegas e feriu outros quatro, reacendeu o debate sobre o bullying no Brasil. A violência praticada expôs a urgência de se entender as raízes desse problema, que vão além dos muros escolares.
A Influência Familiar no Bullying
Uma pesquisa realizada pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, com quase 2.500 crianças e adolescentes, apontou a interação familiar como fator crucial no desenvolvimento de comportamentos relacionados ao bullying, tanto para agressores quanto para vítimas. A falta de diálogo, um clima familiar negativo marcado por violência física ou métodos disciplinares agressivos, contribuem para um ambiente onde a criança ou adolescente se sente isolado e sem recursos para lidar com seus problemas, podendo buscar soluções drásticas.
A Responsabilidade da Escola
A escola desempenha um papel fundamental na prevenção e combate ao bullying. É no ambiente escolar que muitos sinais de sofrimento, como isolamento, insônia e medo de ir à escola, se manifestam. A instituição precisa estar atenta a qualquer tipo de violência, não apenas ao bullying, mas a todas as formas de intolerância e preconceito. A sensibilização de professores, alunos e pais é crucial, promovendo diálogos abertos sobre o tema e a importância de se buscar ajuda.
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Um Problema Multifacetado
O bullying não é um problema exclusivamente escolar; suas raízes se estendem à família e à sociedade. Muitas vezes, padrões de comportamento violento são aprendidos em casa e reproduzidos na escola. A tolerância à violência em nossa cultura também contribui para que crianças e adolescentes vejam a agressão como uma forma aceitável de resolver conflitos. Combater o bullying exige uma abordagem multifacetada, envolvendo família, escola e comunidade, que trabalhem em conjunto para criar um ambiente mais seguro e respeitoso para todos.



