Substância anti-inflamatória pode curar doenças graves no intestino, como o crohn
O Aedes aegypti, conhecido por transmitir dengue, chikungunya e zika, pode ter um papel surpreendente na medicina. Uma pesquisa inovadora da USP de Ribeirão Preto investiga as propriedades anti-inflamatórias da saliva do mosquito, abrindo caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos para doenças inflamatórias.
O Segredo da Picada Indolor
Por que a picada do Aedes aegypti é tão discreta? Diferente de outros insetos, sua picada raramente causa dor imediata. A resposta está na saliva do mosquito, que contém um coquetel de substâncias com potente ação anti-inflamatória. Essa característica permite que o mosquito se alimente sem alertar o hospedeiro, garantindo o sucesso na transmissão de doenças.
Da Praga à Promessa: A Saliva como Fonte de Cura
Inspirada por essa peculiaridade, a equipe liderada pela professora Cristina Cardoso, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, investigou a fundo a composição da saliva do Aedes aegypti. O objetivo era identificar as moléculas responsáveis pelo efeito anti-inflamatório e avaliar seu potencial terapêutico. Os resultados iniciais foram promissores, indicando que a saliva do mosquito pode ser uma rica fonte de compostos bioativos com aplicação em diversas áreas da medicina.
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Testes em Camundongos e Perspectivas Futuras
Para testar a eficácia da saliva do mosquito, os pesquisadores realizaram experimentos em camundongos com doença de Crohn, uma grave inflamação intestinal. Os animais tratados com a saliva apresentaram melhora significativa nos sintomas, como diarreia, sangramento e perda de peso. Esses resultados preliminares sugerem que a saliva do Aedes aegypti pode ser uma alternativa promissora para o tratamento de doenças inflamatórias intestinais, como a colite ulcerativa e a própria doença de Crohn.
A pesquisa continua em busca da identificação e síntese das moléculas anti-inflamatórias presentes na saliva do mosquito. O próximo passo será a produção em larga escala dessas substâncias para testes em humanos. Apesar de ainda não haver uma data definida para o início dos ensaios clínicos, a descoberta representa um avanço significativo na busca por novas terapias para doenças inflamatórias.



