Pesquisa da USP Ribeirão Preto descobre forma de retirar componente tóxico da água
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um método inovador para remover o bisfenol A (BPA), um composto tóxico presente em plásticos, da água. A descoberta, realizada no departamento de Química da USP em Ribeirão Preto, representa um avanço significativo para a saúde pública e a preservação do meio ambiente.
O Problema do BPA
O BPA é uma substância química utilizada na produção de diversos plásticos, conferindo-lhes características como resistência a altas temperaturas e transparência. No entanto, o descarte inadequado desses materiais pode levar à contaminação de rios e solos, expondo a população a riscos. Segundo o toxicologista Daniel Junqueira Dorta, a principal via de exposição ao BPA é através da ingestão de água ou alimentos contaminados. O BPA está associado a problemas de saúde como desregulação hormonal e aumento do risco de certos tipos de câncer, além de problemas de reprodução, comprovados em estudos com animais.
A Solução Inovadora da USP
Diante desse cenário, os pesquisadores da USP criaram uma solução que combina dois processos: o uso de um material biológico derivado de fungos e a aplicação de corrente elétrica. O método consiste em adicionar uma enzima à água contaminada, enfraquecendo as moléculas do plástico. Em seguida, a eletricidade é utilizada para eliminar o BPA. De acordo com o pesquisador João Carlos de Souza, o tratamento eletroquímico remove até 10% do BPA, enquanto o processo enzimático sozinho alcança 35%. A combinação dos dois processos potencializa a degradação da substância tóxica, removendo até 92% do resíduo plástico em até duas horas.
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Próximos Passos e Impacto Potencial
Embora os resultados em laboratório sejam promissores, o método ainda precisa ser testado em larga escala e aplicado na degradação de outras substâncias. A expectativa é que a eficácia comprovada em laboratório possa ser replicada em estações de tratamento de água e esgoto, melhorando a qualidade da água que chega à população. A professora Algiza Rodrigues de Andrade, pesquisadora do departamento de Química da USP, destaca a importância de transformar uma substância tóxica em resíduos não prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana. Testes preliminares já indicam a baixa toxicidade da água após o tratamento.
Espera-se que os próximos testes em grande escala confirmem a eficácia desse novo método, contribuindo para um tratamento de água mais eficiente e seguro.



