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Pesquisa da USP usa inteligência artificial e exames de sangue para detectar hanseníase mais cedo

Ferramenta desenvolvida em Ribeirão Preto busca reduzir diagnóstico tardio e frear transmissão da doença
usp
Divulgação

Pesquisadores da USP em Ribeirão Preto desenvolveram uma ferramenta que combina inteligência artificial e exames de sangue inovadores para identificar casos de hanseníase de forma mais precoce. A iniciativa busca enfrentar um dos principais desafios no combate à doença, o diagnóstico tardio.

A demora na identificação dos casos contribui para a continuidade da transmissão e dificulta o tratamento mais eficaz. Com a nova tecnologia, a proposta é ampliar a capacidade de triagem e acelerar o encaminhamento de pacientes para avaliação médica.

Diagnóstico precoce

A ferramenta utiliza informações sobre sinais e sintomas relatados pelos pacientes, como formigamentos, dores nos nervos, perda de força e lesões na pele. Esses dados são inseridos em um sistema de inteligência artificial, que analisa os padrões e identifica possíveis casos da doença.

Com base nessa triagem, o sistema aponta quais indivíduos devem ser investigados clinicamente. A estratégia permite direcionar melhor os atendimentos e aumentar a precisão na identificação de casos suspeitos.

Além disso, o estudo incorporou novos exames laboratoriais com biomarcadores mais sensíveis, capazes de contribuir para o diagnóstico precoce, especialmente em fases iniciais da doença.

Tecnologia no SUS

O objetivo dos pesquisadores é implementar a tecnologia no Sistema Único de Saúde (SUS), tornando o diagnóstico mais acessível, rápido e de baixo custo. Atualmente, já existe um questionário com 14 perguntas disponibilizado pelo Ministério da Saúde para auxiliar na identificação de suspeitas.

O próximo passo é integrar esse questionário a uma plataforma digital, como um aplicativo, que permita o uso da inteligência artificial nas unidades de saúde. A iniciativa ainda depende de etapas administrativas e validações, mas já foi testada em diferentes regiões do país.

Segundo os pesquisadores, a combinação entre triagem digital e exames laboratoriais pode tornar o rastreamento mais eficiente e ampliar o alcance das ações de controle da doença.

Desafio nacional

A hanseníase ainda é considerada um problema de saúde pública no Brasil. O país ocupa a segunda posição no mundo em número de casos e, proporcionalmente à população, lidera em registros da doença.

Regiões endêmicas continuam sendo motivo de preocupação, o que reforça a necessidade de investimento em tecnologia e estratégias de diagnóstico precoce. Em Ribeirão Preto, o Hospital das Clínicas da USP atua como centro de referência nacional, já utilizando essas ferramentas em pesquisa e atendimento.

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