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Pesquisa da USP usa jogos eletrônicos para estimular atividade física em crianças com autismo

Estudo aponta melhora em habilidades motoras com uso de games que exigem movimento corporal em crianças de 7 a 10 anos
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ACidade ON - São Carlos

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade de São Paulo aponta que jogos eletrônicos que utilizam movimentos corporais podem ser uma ferramenta eficaz para estimular a prática de atividade física em crianças com transtorno do espectro autista (TEA). O estudo indica melhora em habilidades motoras e maior engajamento das crianças, especialmente por unir exercício físico a uma atividade prazerosa e familiar.

Jogos ativos

O estudo foi desenvolvido pelo fisioterapeuta Natã Rafael Grola e parte da ideia de que o brincar é a principal função social da infância. No caso das crianças com autismo, dificuldades motoras, sensoriais e sociais acabam limitando a participação em esportes tradicionais e atividades físicas regulares.

Segundo o pesquisador, o uso de games de movimento surge como uma alternativa menos custosa e mais acessível. A proposta é aproveitar a familiaridade das crianças com as telas para estimular o movimento corporal, tanto em casa quanto em clínicas de reabilitação, transformando o exercício em algo mais atrativo.

Faixa etária

A pesquisa acompanhou crianças de 7 a 10 anos, escolha feita por critérios científicos. Nessa idade, elas ainda não entraram na puberdade e já apresentam maior compreensão das tarefas exigidas durante os jogos, o que favorece a adesão às atividades propostas.

Durante os jogos, as crianças realizaram movimentos amplos, com deslocamentos, uso de braços e pernas e ações coordenadas. Esse conjunto de estímulos foi essencial para avaliar o impacto dos games nas habilidades motoras ao longo do estudo.

Resultados

O protocolo teve duração de três meses e avaliou o desempenho das crianças antes e depois do uso dos jogos. Foram analisadas habilidades como controle de objetos, coordenação motora e locomoção, envolvendo membros superiores e inferiores.

Os resultados mostraram melhora nos dois domínios avaliados. De acordo com Natã Grola, todas as crianças que participaram do grupo apresentaram evolução nas habilidades motoras gerais ao final do acompanhamento.

Desafios

Um dos principais desafios identificados está relacionado aos diferentes níveis de gravidade dentro do espectro autista. Quanto maior a gravidade, maiores foram as dificuldades para entender o jogo, interagir com as atividades e aderir à proposta.

Mesmo assim, o pesquisador reforça que os games devem ser vistos como uma terapia complementar. Eles não substituem tratamentos convencionais, como fisioterapia, terapia ocupacional e educação física, mas funcionam como um reforço motivador no dia a dia.

Uso em casa

Natã destaca que os jogos também podem ser utilizados no ambiente domiciliar, sempre com acompanhamento de um responsável. Modelos mais acessíveis, como os que usam câmeras de movimento, permitem experiências seguras e estimulantes para as crianças.

Além dos benefícios motores, o pesquisador ressalta o fortalecimento do vínculo familiar e social. Brincar junto, convidar amigos ou irmãos para participar e transformar o exercício em um momento prazeroso são fatores que contribuem para o desenvolvimento global das crianças.

Próximos passos

O trabalho já foi publicado em uma revista científica e serviu como base para a criação de um protocolo de tratamento. A pesquisa atrásra será ampliada durante o doutorado do autor, com a inclusão de outras faixas etárias e análises mais precisas.

A expectativa é aprofundar o controle das variáveis observadas e ampliar a compreensão sobre a viabilidade e os efeitos desse tipo de intervenção para o público com transtorno do espectro autista.

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