Mario Murakami, pesquisador do CNPEM, explica como essa substância age e as vantagens que o estudo pode trazer ao país
Uma nova enzima descoberta na biodiversidade brasileira pode transformar a produção de bioenergia, Pesquisa descobre enzima capaz de potencializar, segundo pesquisa conduzida pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas. A descoberta é especialmente relevante para o estado de São Paulo, responsável por 45% da produção nacional de etanol, cerca de 43 bilhões de litros.
Potencial da enzima na produção de etanol
De acordo com o professor e pesquisador do CNPEM, Mário Muracame, a enzima foi identificada em solos cobertos por bagaço de cana-de-açúcar e testada em ambientes industriais. Ela atua na quebra da celulose presente no bagaço, liberando glicose que pode ser fermentada para produção de etanol. Isso permite aumentar a produção de etanol utilizando resíduos atualmente empregados na geração de eletricidade.
Ampliação do uso da biomassa: Muracame destaca que a enzima pode ser aplicada não apenas na cana-de-açúcar, mas também em outras biomassa vegetais, como palha de milho e lascas de eucalipto. Além do etanol, a tecnologia pode ser usada para produzir bioprodutos como plásticos verdes e outros polímeros, substituindo derivados de petróleo.
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Desenvolvimento e parcerias: A pesquisa foi realizada integralmente no Brasil, com algumas validações internacionais. A tecnologia já está patenteada e pronta para licenciamento, com negociações em andamento com pelo menos duas empresas. O tempo para implementação industrial dependerá da capacidade instalada dos parceiros interessados.
Impactos ambientais e econômicos: O uso do bagaço como matéria-prima não compete com alimentos e contribui para a sustentabilidade ambiental e a mitigação das mudanças climáticas. A tecnologia pode posicionar o Brasil como protagonista na transição para uma matriz energética baseada em recursos biológicos.
Informações adicionais
A patente da enzima foi registrada antes da divulgação do trabalho na revista Nature. O CNPEM espera concluir o licenciamento da tecnologia nos próximos meses e definir a estratégia para sua implementação industrial.