Vestígios levantam alerta para o uso abusivo desse produtos; Campinas, Brotas e São Paulo foram os municípios analisados
Uma pesquisa realizada em três cidades do estado de São Paulo, Pesquisa em três cidades encontra vestígios, incluindo Brotas, identificou vestígios de substâncias usadas em agrotóxicos na água da chuva. O estudo foi conduzido pela Unicamp, que coletou e analisou amostras durante dois anos nas cidades de Campinas, Brotas e São Paulo.
Foram detectados 14 tipos de agrotóxicos, entre eles dois proibidos no Brasil. A pesquisa focou nos defensivos agrícolas mais utilizados na cultura da cana-de-açúcar no estado, incluindo herbicidas, fungicidas e inseticidas. Alguns desses produtos já foram associados a impactos negativos no sistema reprodutivo e ao potencial cancerígeno em seres humanos e organismos aquáticos.
Uso de agrotóxicos na agricultura: Em uma lavoura de tomate em Sumaré, interior de São Paulo, o produtor rural relata a utilização de 12 tipos de defensivos agrícolas e outros 10 contra fungos e bactérias. O uso dos produtos segue as orientações do fabricante e as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), incluindo o respeito ao período de carência para consumo.
Legislação e fiscalização: A legislação paulista sobre agrotóxicos entrou em vigor em março do ano passado, estabelecendo punições como processos administrativos e multas a partir de R$ 5 mil para irregularidades no uso desses produtos. Em pouco mais de um ano, 57 multas foram aplicadas em todo o estado. A fiscalização é realizada pela Coordenadoria Estadual de Defesa Agropecuária, que realiza inspeções em propriedades selecionadas aleatoriamente.
“Na compra de um agrotóxico de forma irregular, sem a apresentação de uma receita agronômica, e na utilização fora das recomendações, há risco de penalidades”, explica a fiscal Camila Ribeiro.
Impactos e desafios: A pesquisadora Cassiana Montanhair destaca que, embora o Brasil tenha autorizado o uso de mais de 400 agrotóxicos em diferentes culturas, a legislação para qualidade da água considera apenas cerca de 10% desses compostos. Os demais 90% não são legislados, o que dificulta a avaliação dos impactos reais do uso dessas substâncias após a aplicação.
“Isso traz uma falta de informação para nós ao entender quais são os reais impactos do uso desses agrotóxicos pós aplicação. Não quer dizer que se a gente for tomar, por exemplo, um copo de água da chuva, a gente vá ter algum efeito. Isso pode acontecer se a gente fizer essa exposição ao longo de muitos anos”, afirma a pesquisadora.
Entenda melhor
A pesquisa alerta que a água da chuva pode conter resíduos de agrotóxicos e não é tão limpa quanto se imagina, especialmente em regiões próximas a áreas agrícolas. O monitoramento e a regulamentação mais abrangente são essenciais para garantir a segurança ambiental e à saúde pública.



