Comercialização era feita e protocolada em cartório; quem explica é a coordenadora do Centro Afro Alessandra Laurindo
Pesquisadores de Araraquara (SP) fizeram uma descoberta inédita: cerca de 500 documentos históricos que comprovam a escravidão na região. Encontrados em um cartório local que desobedeceu à ordem de destruição de registros escravistas em 1888, os documentos representam a maior descoberta desse tipo na história do Brasil.
Descoberta e Acesso aos Documentos
A descoberta é fruto de um trabalho que começou em 2015 com a formação da Comissão da Verdade da Escravidão Negra em Araraquara. Após anos de pesquisa e luta judicial para acessar os livros do cartório, a equipe, composta por ativistas, membros da OAB, da prefeitura e da universidade, finalmente conseguiu digitalizar os cinco livros contendo os registros. O processo exigiu persistência e apoio da OAB, culminando no acesso total aos documentos.
O Teor dos Documentos e seus Impactos
Os documentos revelam detalhes cruéis da escravidão, registrando a compra e venda de escravizados, incluindo crianças e bebês, como mercadorias. Os registros detalham idades, pesos e condições de venda, mostrando a desumanização inerente ao sistema. A pesquisa destaca a ironia de nomes de ruas e instituições locais homenagearem os compradores e vendedores, enquanto os escravizados permanecem anônimos na história oficial. O período coberto pelos documentos vai de 1873 a 1887, mostrando uma ampla rede de tráfico que ia além da região de Araraquara.
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Reflexões e Legado
Este trabalho não apenas resgata a memória da escravidão, mas também promove um debate crucial sobre o racismo estrutural no Brasil. A coordenadora do Centro Afro de Araraquara, Alessandra Laurindo, enfatiza a importância de reconhecer o legado da escravidão na sociedade atual e a necessidade de aliados na luta contra o racismo. O livro “A História Comprovada”, que compila esses registros, estará disponível para download gratuito a partir de 24 de novembro em diversos sites, incluindo os da prefeitura, OAB e Sesc. Cópias impressas também serão vendidas pela editora.



