CBN Ribeirão 90,5 FM
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Pesquisa estima a perda de 50 mil abelhas nos próximos 10 anos

Diminuição na produção de mel e risco de queda na produção de alguns frutos são os principais temores
perda de abelhas
Diminuição na produção de mel e risco de queda na produção de alguns frutos são os principais temores

Diminuição na produção de mel e risco de queda na produção de alguns frutos são os principais temores

O uso de defensivos agrícolas, especialmente nas lavouras de cana-de-açúcar, tem sido apontado como um dos principais responsáveis pela drástica redução no número de colmeias no Brasil. Um estudo da Unesp de Rio Claro revelou que, nos últimos 10 anos, cerca de 50 mil colmeias foram dizimadas devido à exposição a esses produtos.

Monitoramento como solução

Diante desse cenário preocupante, pesquisadores desenvolveram um projeto de monitoramento com o objetivo de mitigar a mortalidade de abelhas. A iniciativa, que envolve a colaboração entre produtores e usinas, tem demonstrado resultados promissores. Em Araras, dez produtores e uma usina participaram da pesquisa, e desde o início dos estudos, nenhuma colmeia foi perdida, conforme relatado pelo biólogo da Unesp, Osmar Malaspina.

Malaspina enfatiza a importância de encontrar um equilíbrio entre a necessidade da agricultura em utilizar defensivos e a preservação das abelhas, tanto as criadas por apicultores quanto as nativas. O projeto busca promover a coexistência entre essas duas atividades.

Como funciona o sistema de alerta

O sistema implementado é relativamente simples. Antes de iniciar a pulverização nos canaviais, a usina envia um alerta aos apicultores, permitindo que eles protejam suas colmeias a tempo. Fernando Palma, gerente agrícola da usina, explica que a comunicação é feita com antecedência, possibilitando que os apicultores tomem medidas preventivas nos apiários, como o fechamento das colmeias para evitar a contaminação das abelhas.

O apicultor João Franco, que possui 60 colmeias após ter perdido mais de 200 ao longo de 30 anos de atividade, destaca o impacto negativo do veneno lançado por aviões nas plantações. Carlos Caetano, presidente da Associação de Apicultura de Araras e Região, com mais de 300 colônias, ressalta a importância de receber o aviso prévio, considerando-o uma excelente alternativa para evitar perdas.

Próximos passos da pesquisa

O projeto atrásra entra em uma nova fase, com a instalação de um apiário experimental próximo a uma plantação de cana. O objetivo é monitorar o comportamento das colmeias ao longo do ano, avaliando diversos parâmetros, como a produção de mel, a população de abelhas e a presença de crias. Essa análise permitirá compreender melhor os efeitos dos defensivos agrícolas nas abelhas e buscar soluções mais eficazes para proteger esses importantes polinizadores.

Casos como os de Gavião Peixoto, Brotas, Tambaú e Santa Cruz da Conceição, onde milhões de abelhas morreram devido ao uso de agrotóxicos, reforçam a urgência de medidas de proteção. O monitoramento contínuo, com duração prevista de três anos, é essencial para garantir a saúde das colmeias e a sustentabilidade da apicultura.

A iniciativa representa um passo importante para conciliar a produção agrícola com a preservação ambiental, buscando um futuro onde a agricultura e a apicultura possam coexistir de forma harmoniosa.

Veja também

Conteúdos

Reportar um erro

Comunique à equipe do Portal da CBN Ribeirão Preto, erros de informação, de português ou técnicos encontrados neste texto.