Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Sandra Lambert
Comunicar um diagnóstico de doença crônica a um paciente é um desafio delicado, mas crucial. Uma pesquisa da USP de Ribeirão Preto investigou a melhor forma de realizar essa comunicação, visando minimizar o impacto negativo e otimizar a adesão ao tratamento.
A Importância do Ambiente e da Linguagem
O estudo, conduzido na Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto, ouviu 24 mães no setor de oncologia pediátrica do Hospital das Clínicas. Uma das principais queixas relatadas foi a falta de privacidade e conforto nos locais onde a notícia era comunicada. A enfermeira Talita Bordini de Mello, autora da pesquisa, enfatiza a necessidade de um ambiente adequado, livre de interrupções, onde o profissional possa se comunicar de forma clara, objetiva e atenciosa, sanando todas as dúvidas do paciente e da família.
O Papel dos Pais na Comunicação com Crianças
A pesquisa também abordou a questão de quem deve transmitir a notícia para as crianças. A conclusão é que os pais ou responsáveis, que possuam maior contato e afinidade com a criança, são os mais indicados para essa tarefa. É fundamental que estejam acompanhados de um profissional de saúde, que possa auxiliar na condução da conversa e oferecer suporte emocional.
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Protocolo SPICES: Um Guia para a Comunicação
Talita Bordini de Mello também mencionou o protocolo SPICES, um estudo que oferece um passo a passo para realizar a comunicação de más notícias. Embora seja mais utilizado na oncologia adulta, o protocolo pode ser adaptado para a oncologia pediátrica e outras condições crônicas, fornecendo um guia valioso para os profissionais de saúde.
O estudo espera contribuir para aprimorar a formação dos profissionais de saúde, incentivando a inclusão de disciplinas que desenvolvam habilidades de comunicação em seus currículos. A forma como uma má notícia é transmitida pode influenciar significativamente o bem-estar do paciente e o sucesso do tratamento.



