Sobre o levantamento, feito pela USP em parceria com uma universidade portuguesa, ouça o pesquisador é Marco Paschoalotto
Uma pesquisa conjunta da USP de Ribeirão Preto e da Universidade Nova de Lisboa investigou a percepção da população brasileira sobre a Covid-19 entre novembro de 2020 e janeiro de 2021. Foram coletadas quase 2 mil respostas em todo o país, revelando dados importantes sobre o comportamento e as preocupações da população durante a pandemia.
Receios e Percepções da População
O estudo mostrou que a população demonstrava receio de infecção e transmissão da Covid-19, com grande preocupação em perder amigos e familiares. A pesquisa analisou a adesão a medidas de prevenção, a confiança em vacinas e a percepção do risco em diferentes ambientes. Curiosamente, a pesquisa revelou uma menor percepção de risco em ambientes familiares, apesar do potencial de transmissão.
Desempenho de Organizações e Confiança em Informações
A pesquisa também avaliou a percepção da população sobre o desempenho de diversas organizações no combate à pandemia. Embora 70% dos entrevistados relatassem acompanhar frequentemente informações sobre a Covid-19, a confiança nos meios de comunicação foi considerada baixa. Já o Sistema Único de Saúde (SUS) e os hospitais receberam avaliações mais positivas, indicando que a proximidade e a experiência direta influenciam a confiança da população. A pesquisa também apontou maior confiança em vacinas de empresas como Pfizer e Moderna, enquanto vacinas de origem russa e chinesa geraram menor confiança.
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Lições e Implicações para Políticas Públicas
Os resultados da pesquisa sugerem que as políticas públicas devem considerar a importância da proximidade e da confiança na disseminação de informações e na implementação de medidas de combate à pandemia. A pesquisa destaca a necessidade de estratégias que fortaleçam a confiança na informação científica e combatam a desinformação, utilizando canais de comunicação próximos à população e que sejam vistos como confiáveis. A experiência com a Covid-19 ressalta a necessidade de um sistema de saúde resiliente e de políticas públicas baseadas em informações confiáveis e acessíveis à população.



