Ouça a coluna ‘CBN Saúde’, com Fernando Nobre
Bolos, sopas, pães, bolachas, lasanha, pizza, hambúrguer… Alimentos aparentemente simples, mas que, na verdade, resultam de uma série de processos de industrialização, sendo classificados como ultraprocessados. Mas qual o impacto real desses alimentos na nossa saúde?
A Evolução dos Alimentos Processados
Historicamente, antes da popularização da geladeira, os alimentos eram conservados de outras maneiras. A carne, por exemplo, era salgada ou armazenada em latas de banha. No entanto, a industrialização tomou proporções gigantescas, aumentando exponencialmente o número de alimentos com essas características.
Os Riscos do Consumo Excessivo
Junto com o aumento do consumo de ultraprocessados, cresceram também os problemas de saúde decorrentes desse hábito. Obesidade, diabetes, infarto, hipertensão, colesterol alto e derrames são apenas algumas das consequências do consumo excessivo desses alimentos, que geralmente são ricos em calorias, açúcares, gorduras saturadas, sal e compostos químicos. Um dos grandes problemas é que o sabor desses alimentos nem sempre reflete seus nutrientes.
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A Dra. Malu Berksyotts explica que um bolo de amêndoas industrializado, por exemplo, pode ter sabor de amêndoas, mas não oferece os nutrientes associados a esse sabor. É como se o organismo fosse enganado.
Estudos e Dados Alarmantes
Pesquisadores como Maria Laura Lausada e seus colaboradores realizaram estudos que revelam o impacto do consumo de ultraprocessados no Brasil. Eles descobriram que, em média, 21,5% das calorias consumidas no país provêm desses alimentos. Esses alimentos apresentam maior densidade energética, maior teor de gorduras (especialmente as saturadas e trans) e açúcar, além de menos fibras e proteínas, e mais sódio.
E o problema não se restringe ao Brasil. Um estudo recente nos Estados Unidos revelou que 58% das calorias ingeridas pelos americanos provêm de alimentos ultraprocessados, como congelados, pizzas, cereais industrializados e refrigerantes, frequentemente associados ao ganho de peso e a doenças relacionadas à obesidade. A pesquisa, que entrevistou mais de 9 mil americanos entre 2009 e 2010, identificou mais de 288 mil itens ultraprocessados consumidos pelos participantes.
Um Raio de Esperança no Brasil
Nem tudo está perdido. Dados do programa Vigitel do Ministério da Saúde indicam que as frutas e hortaliças estão mais presentes na alimentação dos brasileiros, refletindo um aumento no número de pessoas que buscam uma alimentação mais saudável, com menos gordura e sal. No entanto, o consumo regular de refrigerantes ainda é alto (mais de 20% da população), 18% consomem doces regularmente e, lamentavelmente, 16% da população economicamente ativa substituem refeições regulares por lanches.
Quando se diz que o peixe morre pela boca, podemos completar: o ser humano também. A atenção à alimentação é fundamental para a saúde e o bem-estar.