Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Sandra Lambert
Um estudo recente da Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto lança luz sobre o perfil dos dependentes químicos na cidade, revelando tendências importantes e a necessidade de aprimorar o atendimento a essa população.
O Perfil dos Usuários de Drogas em Ribeirão Preto
A pesquisa, conduzida no primeiro semestre de 2012 com 95 participantes do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps) de Ribeirão Preto, aponta que 58% dos usuários são dependentes de crack e 44% de cocaína. O estudo destaca que a maioria dos pacientes são homens adultos jovens, mas também identifica um número relevante de mulheres e até mesmo idosos buscando tratamento, evidenciando a necessidade de ações preventivas para diferentes faixas etárias. Uma parcela significativa dos pacientes buscou tratamento espontaneamente, enquanto outros foram encaminhados por familiares e amigos.
Diferenças no Uso de Drogas por Faixa Etária e Condição Socioeconômica
A pesquisa revela que o uso de crack é mais prevalente entre a população adulta, enquanto a cocaína é mais comum entre os jovens. A enfermeira Josélia Benedita Carneiro Domínguez, responsável pelo estudo, explica que pacientes com emprego, suporte familiar ou condições financeiras tendem a consumir cocaína, uma droga mais cara. No entanto, com o tempo e a deterioração da condição socioeconômica, muitos migram para o crack. A pesquisa também aponta para altas taxas de recaída, muitas vezes desencadeadas por ambientes e situações que remetem ao uso de drogas.
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O Papel da Família, da Religião e dos Profissionais de Saúde
O estudo destaca a importância do suporte familiar e da religião como fatores de proteção contra a dependência química. No entanto, muitos pacientes relatam falta de apoio familiar e estigma social, o que dificulta o tratamento. A pesquisa também revela que nem todos os profissionais de saúde estão devidamente capacitados para atender dependentes químicos, especialmente em serviços de urgência. A falta de preparo pode levar a abordagens inadequadas, como a simples medicação e liberação do paciente, sem o devido encaminhamento para serviços especializados.
Os resultados da pesquisa reforçam a necessidade de capacitar profissionais de saúde, fortalecer o apoio familiar e combater o estigma social associado à dependência química, a fim de oferecer um tratamento mais eficaz e humanizado aos dependentes químicos de Ribeirão Preto.



