Psicóloga Tânia Aldrige Flake conversou com a CBN Ribeirão
Uma pesquisa da USP São Paulo revelou que 75% dos universitários já sofreram algum tipo de violência em relacionamentos, abrangendo desde agressões físicas e psicológicas até violência sexual. O estudo, coordenado pela psicóloga e terapeuta Tânia Aldrigue-Fleike, lança luz sobre um problema alarmante entre os jovens.
Agressão e Vitimização: Uma Realidade Complexa
Os dados indicam que muitos jovens são tanto agressores quanto vítimas em seus relacionamentos. Após um primeiro incidente de violência, seja física ou moral, a escalada é comum. As agressões verbais, ameaças e depreciações podem preceder a violência física ou sexual. Jovens agressores nem sempre reconhecem seus atos como violência, muitas vezes justificando-os como demonstrações de amor.
Tempo de Namoro e o Aumento da Violência
A pesquisa também aponta para uma correlação entre o tempo de namoro e a probabilidade de ocorrência de violência. Com o passar do tempo, dinâmicas de poder e controle podem se intensificar, levando ao uso de comportamentos agressivos como forma de manter o relacionamento. O medo da rejeição e a busca por controle podem exacerbar essas tendências.
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Do Namoro ao Casamento: Mudanças e Padrões
Curiosamente, o estudo sugere que os padrões de violência podem mudar entre o namoro e o casamento. No casamento, a mulher tende a se tornar mais passiva e o homem mais agressivo, embora os danos na relação conjugal sejam maiores. A violência presenciada pelos filhos pode perpetuar esses padrões, ensinando-os que a agressão é uma forma aceitável de lidar com conflitos.
A pesquisa coordenada pela USP São Paulo é pioneira no Brasil, revelando a necessidade urgente de abordar a violência nos relacionamentos jovens. A cultura da violência ainda é tolerada em grande parte, e é crucial que os jovens aprendam a identificar e interromper esses ciclos destrutivos.



