Governo do Estado manteve Ribeirão Preto, Franca e Barretos na fase amarela do programa de contenção da pandemia
O diretor da Fiocruz, Rodrigo Estabile, concedeu entrevista para discutir as mudanças na classificação de risco do Plano São Paulo e o andamento da vacinação contra a Covid-19, especialmente em Ribeirão Preto.
Mudanças na Classificação de Risco
As mudanças no Plano São Paulo incluíram novos critérios de tempo de internação e óbitos, levando em consideração o aprendizado da comunidade médica no manejo de pacientes com Covid-19. Apesar do aumento da taxa de ocupação de leitos de UTI em Ribeirão Preto (88,2% segundo o site leitoscovid.org), a cidade permanece na mesma fase. Estabile explica que a capacidade hospitalar da cidade é adequada, mas que o Hospital das Clínicas já solicitou a recriação de leitos, e a cidade opera com 110 leitos a menos do que no ápice da epidemia em atrássto. Ele alerta que mitigar a epidemia apenas considerando o estresse hospitalar é equivocado; o foco deve ser na redução da infecção. Manter a cidade na fase atual corre o risco de saturação do sistema de saúde em três semanas, resultando em uma regressão de fase mais severa.
A Necessidade de Regressão de Fase
Embora a transmissão em Ribeirão Preto seja relativamente baixa em comparação com outras regiões do estado, Estabile defende a regressão de fase. Ele argumenta que endurecer as medidas de restrição, comunicação clara com a população e o fechamento de estabelecimentos em horários mais restritos seriam mais eficazes do que uma simples regressão de fase que causaria estresse econômico sem resolver o problema de saúde pública. A permanência na fase laranja se deve, segundo ele, aos dados apresentados ao comitê que possivelmente não incluíram os dois últimos dias de avanço da epidemia.
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Reflexos das Festas de Fim de Ano e a Vacinação
Estabile prevê um aumento significativo de casos nas próximas duas a três semanas, reflexo das festas de fim de ano e dos feriados prolongados anteriores. Ele destaca a densidade populacional de Ribeirão Preto, que faz com que o vírus tenha um ciclo de três a quatro semanas. Sobre a vacina Butantã, cuja solicitação de uso emergencial foi oficializada, ele destaca a capacidade brasileira de pesquisa clínica de qualidade e a importância da transferência de tecnologia para o desenvolvimento de vacinas no país. A eficácia da vacina é de 78% para casos leves e 100% para casos graves, internações e óbitos. Estabile ressalta que esses dados ainda não foram abertos à comunidade científica, mas que a ausência de casos graves e óbitos entre os vacinados demonstra a alta eficácia da vacina contra formas severas da doença.
Em suma, a situação em Ribeirão Preto exige atenção. A combinação de medidas restritivas, comunicação eficaz e a rápida implementação da vacinação são cruciais para controlar a pandemia e evitar uma crise sanitária mais grave. A priorização da saúde pública, a longo prazo, também se mostra benéfica para a economia.


