Falta de políticas públicas eficientes e minimização dos efeitos da doença têm elevado os números de infectados e feridos
O ano de 2020 foi marcado por inúmeros desafios, incluindo a maior crise sanitária do século XXI: a pandemia de COVID-19. Em entrevista à Rádio CPN, o pesquisador da Fiocruz Rodrigo Estabeli analisou o cenário da pandemia em Ribeirão Preto, região e país, abordando as implicações das festas de fim de ano e o aumento de casos e internações.
Um ano de dificuldades e aprendizados
Estabeli destacou que 2020 não foi um ano para ser esquecido, mas sim para ser lembrado como um período de aprendizado e crescimento frente à adversidade. A pandemia expôs as desigualdades sociais brasileiras, impactando de forma desproporcional os mais vulneráveis. Apesar da recuperação econômica relatada, esta beneficiou principalmente os mais ricos, agravando a desigualdade.
O negacionismo e suas consequências
O pesquisador apontou o negacionismo e as políticas de intervenção mal-sucedidas como fatores que contribuíram para o prolongamento da pandemia e o aumento de casos. A minimização da gravidade da doença resultou em consequências econômicas e sociais negativas, afetando a saúde e a educação. A fadiga da pandemia entre os profissionais de saúde e a falta de uma estratégia federal efetiva de combate à COVID-19 também foram mencionados como pontos críticos.
Novas variantes e os desafios para 2021
A entrevista também abordou o surgimento de novas variantes do vírus, como a identificada inicialmente no Reino Unido. Estabeli explicou que mutações virais são comuns e que o acompanhamento dessas variações é crucial. Embora a nova variante pareça ser mais infectante, não há evidências de que cause maior gravidade ou afete a eficácia das vacinas. A pressão hospitalar, no entanto, pode aumentar devido à maior transmissibilidade do vírus. A prevenção, por meio do distanciamento físico e do uso de máscara, continua sendo fundamental para controlar a pandemia e evitar novas mutações.
O ano de 2021 se inicia com a pandemia ainda em curso, exigindo a manutenção de esforços para o controle da doença e a busca por soluções para mitigar as desigualdades sociais expostas pela crise. A esperança reside na vacinação, mas a vigilância e as medidas de prevenção continuam sendo essenciais para enfrentar os desafios que se apresentam.



